Economia

Inadimplência cresce 6% em BH e atinge mais consumidores acima de 50 anos

Variação de janeiro para o mês passado foi de 0,44%; pessoas acima de 50 anos foram as responsáveis pelo aumento geral de devedores
Inadimplência cresce 6% em BH e atinge mais consumidores acima de 50 anos
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O número de inadimplentes em Belo Horizonte cresceu 6,02% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2025, segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).

O indicador ficou abaixo da média da região Sudeste (9,80%) e da média nacional (10,22%).
Na passagem de janeiro para fevereiro, o número de devedores na capital mineira cresceu 0,44%. Na região Sudeste, no mesmo período, a variação foi de 0,43%.

Suporte e dívidas

O contingente de devedores é maior entre os maiores de 50 anos. Essa faixa etária registrou a participação mais expressiva de inadimplentes em Belo Horizonte em fevereiro: pessoas entre 50 e 64 anos representaram 23,99% do total de consumidores que não conseguiram honrar seus compromissos financeiros no período. A distribuição por sexo ficou equilibrada, com 51,68% de mulheres e 48,32% de homens.

Segundo o presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, esse grupo contribuiu para elevar o número de inadimplentes, pois muitos estão retornando ao mercado de trabalho ou complementando a renda familiar para dar suporte a parentes próximos.

“A questão da faixa etária está muito ligada à necessidade de continuar trabalhando. Essas pessoas estão tendo de retomar atividades remuneradas para ajudar familiares. Em vários casos, são o sustento da família e, às vezes, emprestam seus nomes para buscar crédito para parentes e pessoas próximas, ficando também com esse perfil de inadimplência. Essa faixa etária está suportando muita coisa: em alguns casos, precisam ter mais de um emprego, buscam aumento de renda e sustentam a família como um todo”, explica Souza e Silva.

Número médio de dívidas por devedor

Em fevereiro, cada consumidor inadimplente em Belo Horizonte tinha, em média, 2,345 dívidas em atraso — índice abaixo da média da região Sudeste (2,355) e acima da média nacional (2,295).
O valor médio das dívidas por consumidor negativado na cidade chegou a R$ 5.750,31, considerando a soma de todos os débitos. Os dados ainda mostram que 28,52% dos consumidores tinham dívidas de até R$ 500,00, percentual que sobe para 39,79% quando se considera dívidas de até R$ 1.000,00.

Economia forte e mineiridade

Mesmo diante do avanço da inadimplência, o presidente da CDL-BH atribuiu o desempenho mais favorável de Belo Horizonte em relação à média nacional e à região Sudeste à robustez da economia local e ao perfil cauteloso do mineiro na hora de se endividar.

“A remuneração média em Belo Horizonte cresceu em relação ao Brasil. As pessoas também estão mais conscientes – a gente percebe isso ao longo dos anos, principalmente depois da pandemia: as pessoas controlando mais as despesas, e os mais jovens começando seus trabalhos e administrando melhor seus gastos. Dois ou três anos atrás, via-se muito a faixa mais jovem com alto endividamento, e agora isso está aliviando. O mineiro, com a sua característica, o belo-horizontino, sempre desconfiado quando os juros estão altos e a inflação está fora da meta, se retrai um pouco no consumo e consegue não se endividar”, conclui o dirigente.

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