Economia

Brasil suspende importação de cacau da Costa do Marfim por risco fitossanitário

O Brasil importou 112,85 mil toneladas de cacau e seus produtos em 2025, sendo 41,6 mil toneladas provenientes da Costa do Marfim
Brasil suspende importação de cacau da Costa do Marfim por risco fitossanitário
Foto: Divulgação / Reuters

O Ministério da Agricultura decidiu suspender imediata e temporariamente a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim, citando risco fitossanitário, de acordo com publicação no Diário Oficial da União nesta terça-feira (24).

“A medida fundamenta-se no risco fitossanitário decorrente do elevado fluxo de grãos de países vizinhos para o território marfinense, o que possibilita a mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil”, afirmou a publicação.

A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau do mundo.

O Brasil importou 112,85 mil toneladas de cacau e seus produtos em 2025, sendo 41,6 mil toneladas provenientes da Costa do Marfim, segundo dados do Ministério da Agricultura.

O ministério determinou que a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e a Secretaria de Defesa Agropecuária adotem os procedimentos necessários para averiguar suposta “triangulação” de amêndoas da Costa do Marfim, com possíveis implicações fitossanitárias.

A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (Aipc), que reúne empresas como Cargill, Barry Callebaut e Ofi, afirmou em nota ver com “preocupação” a decisão da suspensão do cacau marfinense.

“Confiamos igualmente no governo da República da Costa do Marfim, parceiro estratégico do Brasil no comércio internacional de cacau, para que possa apresentar os esclarecimentos e garantias necessários quanto à rastreabilidade e aos controles adotados para impedir a triangulação de amêndoas provenientes de países não autorizados”, disse a associação

A moagem de cacau no Brasil somou 195.882 toneladas em 2025, o que representa uma retração de 14,6% em relação a 2024, em meio a custos mais elevados com a matéria-prima, segundo a Aipc.

Missão à África

O ministério decidiu também manter a suspensão da importação até a manifestação formal da Costa do Marfim sobre a situação, “bem como a apresentação de garantias de que os envios originários daquele país não apresentam risco de conter amêndoas de cacau produzidas em países vizinhos, cujo status fitossanitário da cultura é desconhecido e cuja exportação ao Brasil é de origem não autorizada”.

Segundo uma nota publicada pela Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), a decisão foi baseada em uma nova análise de risco fitossanitário realizada pela missão técnica brasileira no país africano, entre os dias 1 e 14 de fevereiro, cujo relatório deve ser divulgado até o final desta semana.

O tema vem sendo acompanhado pela Faeb e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que participaram de reunião técnica com o Ministério da Agricultura, em novembro, quando foram apresentadas preocupações relacionadas à sanidade vegetal e solicitada a revisão da Análise de Risco de Pragas (ARP).

De acordo com o presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda, a decisão decorre de um processo técnico conduzido pelas autoridades sanitárias brasileiras.

“O envio da missão e a publicação da medida refletem o funcionamento dos protocolos de defesa agropecuária, que têm como base critérios técnicos e científicos”, afirmou.

Conteúdo distribuído por Reuters

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