Brasil vê superávit comercial cair 8%, para US$ 68,3 bi, em 2025 com tarifaço de Trump
A balança comercial brasileira fechou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões, valor 7,9% menor que o registrado em 2024. O resultado é observado após um ano marcado pelo tarifaço aplicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O valor de 2025 foi divulgado pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços) nesta terça-feira (6) e é resultado de US$ 348,7 bilhões em exportações (3,5% mais do que um ano antes) e de US$ 280,4 bilhões em importações (crescimento de 6,7%).
Durante o ano, os números já vinham apontando que as compras feitas pelo Brasil vinham se expandindo a um ritmo maior do que as vendas ao exterior, um movimento típico observado em momentos de crescimento econômico do país.
De uma amostra do Mdic sobre os principais parceiros comerciais do Brasil, os Estados Unidos são responsáveis pela maior queda na compra de produtos brasileiros. O país administrado por Trump comprou 6,6% menos do que no ano anterior.
Por outro lado, há países que registraram um crescimento de dois dígitos nas compras de bens brasileiros. O Canadá, por exemplo, importou 14,8% mais bens do Brasil.
Também houve crescimento relevante nas exportações para os países integrantes do Mercosul. O bloco comprou 26% mais do Brasil do que no ano anterior, sendo que a expansão das compras da Argentina foi de 31%.
O comportamento da corrente de comércio com os Estados Unidos é observado de perto após Trump anunciar uma série de iniciativas para tarifar importações de produtos de diversos países ao longo de 2025. Em fevereiro, ele impôs taxas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio.
Em julho, Trump publicou uma carta endereçada a Lula na qual anunciou formalmente uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os EUA a partir de 1° de agosto, sob a alegação de que processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro seriam uma “caça às bruxas”.
Depois disso, Trump recuou em parte das iniciativas. Em julho, o americano assinou o decreto que estabeleceu a tarifa de 50%, mas com quase 700 exceções, que livraram 43% do valor de itens brasileiros exportados para os Estados Unidos, segundo levantamento feito pela Folha de S.Paulo.
Ficaram isentos do tarifaço, por exemplo, derivados de petróleo, ferro-gusa, produtos de aviação civil e suco de laranja. Por outro lado, carnes, café e pescado não escaparam na ocasião.
Em setembro, Trump retirou a tarifa de 10% sobre a celulose importada pelos Estados Unidos. A decisão beneficiou a indústria brasileira, que exportou 2,8 milhões de toneladas do produto para o país em 2023.
Mais recentemente, em novembro, Trump assinou decreto que retira as tarifas de 40% sobre alguns produtos agrícolas vendidos pelo Brasil. Entraram na lista carne e café. Ao todo, foram contemplados mais de 200 itens agrícolas e da pecuária, incluindo alguns fertilizantes à base de amônia.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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