Concessão da Rota das Gerais impulsiona setor de cachaça no Norte de Minas
Arrematado nesta terça-feira (31) pela EcoRodovias, o leilão para a concessão das rodovias BR-251 e BR-116, conhecidas como Rota das Gerais, no Norte de Minas Gerais, pode beneficiar uma das atividades mais relevantes da economia mineira: a produção de cachaças. Isso porque a BR-251 é a principal via de acesso ao município de Salinas, reconhecido pelo Governo Federal, há oito anos, como a Capital Nacional da Cachaça, e com o selo de Indicação Geográfica, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), desde 2012.
Para o prefeito de Salinas, Joaquim Dias, a entrega da responsabilidade pela rodovia à iniciativa privada trará um impacto positivo e relevante no escoamento da cachaça. “É importante entender, porém, que essa expectativa não é um salto imediato gigantesco e sim um crescimento gradual, consistente e sustentado, já que a 251 é o principal corredor logístico da cachaça de Salinas”, destaca.
Ele acrescenta que, atualmente, a cidade produz cerca de 10 milhões de litros de cachaça por ano, reúne mais de 100 marcas além de mais de 60 produtores artesanais. “Empresas do setor já sinalizam expectativa de crescimento apostando na melhoria logística”, completa o chefe do Executivo.
Dias afirma ainda que a concessão poderá fomentar a atividade turística na região. “Muitos turistas deixam de vir para Salinas conhecer as nossas cachaças com medo de passar pela BR-251, considerada em alguns trechos como rodovia da morte, com grande número de acidentes fatais”, ressalta. As mudanças que estão por vir, de acordo com o prefeito, não só trarão mais pessoas para o município polo da produção cachaceira no Estado, como também devem aumentar a segurança de motoristas.
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Estradas precárias desafiam produção de cachaça no interior mineiro
Para o presidente da Associação Nacional da Cachaça de Alambique (Anpac), Sérgio Maciel, melhorias em estradas são fundamentais para as economias locais, mas ainda é preciso ampliar os investimentos na infraestrutura viária do Estado. “A cachaça é um produto que está espalhado por toda a zona rural mineira. Muitas estradas que levam aos produtores ainda carecem de melhorias e investimentos”, diz.
Ainda de acordo com o dirigente, vias com boa infraestrutura, evitam o êxodo de produtores, permitindo, assim, que eles sigam produzindo nas propriedades rurais. “A estrada com boas condições é um dos principais fatores que facilitam a vida de quem está produzindo no meio rural”, reforça.
Minas Gerais lidera mercado
Dados do último anuário da cachaça, divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam que o Brasil conta com 1.266 estabelecimentos produtores de cachaça registrados. Minas Gerais lidera o ranking com 501 estabelecimentos, o que corresponde a 39,6% do total de empresas do setor no País.
O Estado também conta com cinco municípios na lista de cidades brasileiras com dez ou mais estabelecimentos elaboradores de cachaça registrados. São eles:
- Zona da Mata: Alto Rio Doce, Lamim e Rio Espera
- Norte: Salinas
- Centro-Oeste: Córrego Fundo
Entre as cidades mineiras, Alto Rio Doce aparece em primeiro lugar com 22 estabelecimentos, o que corresponde a 4,4% das empresas do setor registradas no Estado. Salinas figura em segundo lugar (20), seguida por Rio Espera (15), Córrego Fundo (10) e Lamim (10).
Ainda segundo o anuário, Minas Gerais é o Estado com a maior oferta proporcional de cachaçarias no País, com um estabelecimento para cada 42.560 habitantes.
O Estado também se destaca pela força no número de cachaças registradas. Com 2.492 produtos, Minas lidera entre as unidades da federação, concentrando 34,5% de todos os registros do Brasil.
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