Carnaval 2026: consumidor mineiro está mais cauteloso e deve reduzir gastos em 19%
O consumidor de Minas Gerais está mais cauteloso quanto aos gastos durante o Carnaval de 2026. Neste ano, o investimento na compra de itens, como bebidas, acessórios e fantasias deve girar em torno de R$ 452,18. Esse valor representa uma redução de 19% em comparação a 2025, quando o tíquete médio foi de R$ 558,51.
Os dados constam na pesquisa da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG). O recuo tem a influência de fatores, como gastos de início de ano, volta às aulas, além de desafios, como a taxa de juros elevada, que segue restringindo o consumo.
Segundo a pesquisa, os principais gastos no Carnaval serão em bebidas (26,7%), acessórios carnavalescos (13,3%) e fantasias (3,3%). Outro número que chama atenção é o percentual de mineiros que não pretendem comprar nada de especial para se divertir, que neste ano somou 56,7%.
O economista da FCDL-MG, Vinícius Carlos Silva, avalia que o consumidor segue cauteloso no Carnaval de 2026, especialmente em função da proximidade com o início do ano. Tradicionalmente, os primeiros dois meses são marcados por reajustes e gastos que pesam no bolso, como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e material escolar.
A menor intenção de gastos nesse ano também pode ser explicada pelo atual contexto econômico do País. “Isso inclui uma taxa de juros ainda bastante alta e um ano que será marcado pelas eleições, fatores que geram instabilidade econômica”, pontua Silva.
Outro ponto analisado diz respeito a novos hábitos e comportamentos da população, especialmente da geração Z. “Isso também traz impactos nos números, com uma grande parcela desse grupo optando mais pelo descanso do que pela folia, e pelo consumo reduzido ou nulo de álcool”, avalia.
8 a cada 10 mineiros devem curtir o Carnaval na própria cidade
A pesquisa também destaca que 8 a cada 10 mineiros (88,2%) devem curtir o Carnaval na própria cidade. Além disso, mesmo entre os que desejam viajar, a maioria (9,8%) fará o deslocamento para dentro do próprio Estado e apenas 2% devem embarcar para fora de Minas Gerais.
Essa decisão foi impactada pela pretensão de descanso, relatada por 59,7% dos entrevistados. Outros fatores incluem curtir os blocos (16,1%), preço (14,5%) e oportunidade (9,7%).
Para o economista, a permanência na própria cidade possibilita aliar o descanso e a folia, principalmente considerando que 84,3% das cidades mineiras realizam eventos voltados para a temática, conforme apurado na própria pesquisa. “Esse resultado é reflexo dos investimentos feitos pelo Estado e pelos municípios para proporcionar a melhor experiência possível aos foliões, visando fortalecer a economia e a vocação turística de Minas Gerais”, argumenta Silva.
Turismo e cadeia produtiva devem sustentar resultados positivos
O economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), Paulo Casaca, corrobora com a análise da pesquisa. Segundo ele, o período é caracterizado por uma ‘ressaca financeira’ em decorrência do pagamento de impostos e festas de fim de ano, o que pode gerar uma maior restrição para o consumidor em geral.
No entanto, a queda na intenção de consumo entre 2025 e 2026 pode estar mais estrelada aos efeitos do aumento da taxa de juros, que seguem intensificando o endividamento das famílias, e, sobretudo, a inadimplência. “No fim do ano passado, 30% das famílias tinham parcelas de dívidas em atraso”, afirma o economista.
Ainda assim, Casaca avalia que o cenário para o Carnaval de Minas em 2026 tende a ser positivo. O desempenho, segundo ele, será impulsionado pela expectativa de recorde no turismo e pela mobilização de um amplo contingente de trabalhadores ao longo da cadeia produtiva, que, mesmo sem participar diretamente da festa, contribue para a geração de renda.
“Existe toda uma indústria mobilizada pelo Carnaval, que envolve trabalhadores de diferentes níveis e segmentos, da hotelaria e dos eventos ao entretenimento. É um período em que muita gente está trabalhando intensamente e gerando renda”, ressalta.
Com relação ao comportamento em outras datas do calendário, o economista projeta que a confiança do consumidor mineiro deve seguir em patamar cauteloso por mais alguns meses. Segundo o Ipead, o indicador de confiança vem recuando desde meados de 2025 e a tendência é de manutenção desse movimento ao longo do ano, em meio às incertezas eleitorais, que aumentam a percepção de risco para novos investimentos.
“Contudo, não se trata de um cenário alarmante. O País também registra bons indicadores, como a menor taxa de desemprego dos últimos 14 anos, renda real em patamar recorde, bolsa em níveis históricos e uma taxa de câmbio relativamente baixa”, finaliza Casaca.
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