Carnaval prolongado mantém economia aquecida em BH e deve movimentar R$ 1,4 bilhão
O Carnaval deste ano deve movimentar até R$ 1,4 bilhão na economia de Belo Horizonte. De acordo com estimativas da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), o evento continuará tendo forte impacto mesmo após os dias tradicionais de folia, até o próximo domingo (22).
O presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva, avalia que o chamado “Carnaval prolongado” tem sustentado o fluxo de consumidores nas ruas e mantido a presença de turistas na Capital. Inclusive, grande parte dos turistas deverá permanecer na cidade até o fim de semana para aproveitar a programação pós-carnavalesca.
Segundo o dirigente, foi registrado um público de 6,5 milhões de pessoas nas ruas da capital mineira durante todos os dias do Carnaval. Além disso, são esperados mais 31 blocos entre esta sexta-feira (20) e domingo, beneficiando o setor de comércio e serviços.
Uma pesquisa realizada pela CDL/BH mostra que o Carnaval se consolidou como um dos propulsores da economia de Belo Horizonte. A maioria (98,9%) dos empreendedores dos setores de comércio, serviços e turismo avalia o período como positivo para os negócios, e 95,59% disseram estar otimistas quanto aos efeitos da festividade em 2026. A expectativa dos comerciantes é que o gasto total diário por folião atinja R$ 109,96 em produtos como comida, bebidas, vestuário e complementos.
O consumo dos foliões ajuda a explicar esse cenário. Outro levantamento feito pela entidade aponta que o investimento realizado pelos foliões para aquisição de fantasias e acessórios ficaria entre R$ 100 e R$ 150. Já o gasto com bebidas seria de até R$ 70 por dia.
O presidente da CDL/BH ressalta que o Carnaval da capital mineira deixou de ser um evento concentrado em poucos dias. Silva relata que o evento se transformou em uma temporada que atrai turistas de todos os lugares do Brasil e mantém o consumo aquecido por mais tempo. “Isso amplia os impactos positivos para toda a economia local”, afirma.
Ele ainda pontua que, mesmo depois de domingo, data em que se encerram as festividades na cidade, a economia tende a se manter aquecida. “Com empresários reinvestindo em seus negócios o resultado das vendas durante a folia e, consequentemente, gerando emprego e renda”, completa.
Ocupação hoteleira em alta

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), a hotelaria da Capital alcançou 83,5% de ocupação, superando os 76% registrados em 2025. A entidade ainda destaca que a região Centro-Sul da cidade operou com quase 100% da capacidade.
Além disso, outras regiões como Pampulha, Norte e Belvedere também tiveram grande demanda de ocupação no período de folia. Já os hotéis da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) operaram com cerca de 75% de ocupação.
Já o balanço da Associação Mineira de Hotéis de Lazer (Amihla) demonstra que os empreendimentos hoteleiros localizados em um raio de até 100 quilômetros da Capital apresentaram o melhor resultado, com 99,43% de ocupação média, variando entre 94,83% e 100%. O índice confirma a força do turismo de proximidade, impulsionado pela facilidade de deslocamento rodoviário, menor custo logístico e pela preferência por viagens mais curtas durante o feriado prolongado.
Os hotéis situados a mais de 100 quilômetros da Capital também registraram desempenho expressivo, com 94,25% de ocupação média, variando entre 70% e 100%. Essa diferença reflete características regionais, acessibilidade e perfis distintos de oferta, mas mantém o cenário geral de alta demanda em praticamente todo o Estado.
O presidente da entidade, Alexandre Santos, ressalta que o crescimento do Carnaval na capital mineira já era esperado, mas o que se confirmou foi um movimento consistente de fortalecimento do turismo regional.
“A festa na Capital, nas grandes cidades e nos polos históricos impulsiona diretamente os empreendimentos de lazer em Minas. É um ciclo virtuoso, que amplia oportunidades e fortalece toda a cadeia do turismo”, destaca.
Carnaval em Minas Gerais

A presença de turistas também tem papel decisivo para o desempenho econômico. A permanência prolongada deve impulsionar o movimento em estabelecimentos como bares, restaurantes e lojas. No início do ano, o governo do Estado lançou a campanha “Fica mais um cadin! Em Minas, a folia não tem pressa”, convidando mineiros e visitantes a viverem o Carnaval de forma ampliada, explorando diferentes territórios e experiências.
De acordo com dados do governo estadual, o Carnaval movimentou R$ 5,83 bilhões nos setores de turismo, hotelaria, gastronomia, transporte e serviços em Minas Gerais. Esse valor representa um aumento de 10% na comparação com o registrado no mesmo período de 2025 (R$ 5,3 bilhões).
O Estado ainda registrou 14,9 milhões de pessoas curtindo a folia, um crescimento de 14,2% na comparação com a edição anterior. Essas informações foram apresentadas pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) durante uma coletiva realizada nesta quinta-feira (19).
De acordo com a Amihla, o segmento hoteleiro registrou 97,16% de taxa média de ocupação em Minas. Esse índice reforça a consolidação da hotelaria de lazer como um dos principais vetores econômicos beneficiados pela festa no Estado e com destaque no cenário nacional.
Santos avalia que o desempenho registrado reforça o papel estratégico da hotelaria de lazer na absorção da demanda gerada pela folia. Para ele, o impacto do evento ultrapassou a Capital e se irradiou para cidades históricas e para destinos de natureza e resorts distribuídos por diversas regiões, ampliando o alcance econômico da festa.
O período também serviu para evidenciar a maturidade do setor, que vem se estruturando para atender a diferentes perfis, de foliões a pessoas que buscam experiências mais tranquilas. Os números obtidos neste ano consolidaram o Carnaval como um dos principais motores econômicos do turismo em Minas Gerais.
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