Economia

Valorização de carros usados no Brasil supera zero-quilômetro nos últimos cinco anos

Demanda aquecida e crise na produção de novos impulsionam preços de seminovos no Brasil
Valorização de carros usados no Brasil supera zero-quilômetro nos últimos cinco anos
Foto: Diário do Comércio/ Arquivo/ Alessandro Carvalho

O preço de venda dos carros usados apresentou valorização superior ao custo de comercialização dos automóveis novos no Brasil nos últimos cinco anos. Enquanto os veículos mais antigos tiveram alta de 83% entre 2020 e 2025, os zero-kilômetro subiram 51,5% no mesmo período. Os dados compõem o IBV Auto, índice do banco BV.

De acordo com o indicador, esse movimento tem origem na pandemia de Covid-19, quando houve queda na procura por veículos novos e aumento na demanda dos brasileiros por veículos seminovos e usados, tendência que se consolidou nos anos seguintes. Ainda conforme o IBV, isso ajuda a explicar o encarecimento do carro no País e abre espaço para discussão sobre o comportamento do consumidor e sobre a oferta de crédito no setor.

Conforme os dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), as vendas de carros usados saltaram mais de 40% desde 2020, chegando a quase 18 milhões de veículos comercializados no ano passado.

Já a vendagem de carros zero-quilômetro somou 2,5 milhões em 2025, alta de 28% em relação a 2020, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Vice-presidente de varejo do banco BV, Jamil Ganan explica que o movimento inflacionário que atingiu o preço dos modelos novos provocou uma mudança no perfil de compra do consumidor médio. “Já que a alta não foi acompanhada por um aumento proporcional da renda, fazendo com que cada vez mais pessoas optassem por veículos mais antigos”, diz.

Procura crescente por usados e seminovos

Seminovos Localiza
Foto: Diário do Comércio/ Leonardo Morais

Durante o período de pandemia, a produção de carros no Brasil caiu devido ao fechamento de fábricas e à falta de componentes, como semicondutores. Esse cenário gerou filas de espera nas concessionárias, pressionou preços e levou o consumidor a comprar usados ou seminovos, que eram a opção disponível no mercado naquele momento.

A maior procura, por sua vez, resultou em valorização recorde dos veículos usados, uma tendência que vem se mantendo nos últimos anos. Ganan destaca que o mercado de usados é enorme, com opções de modelos e faixas de preço para todos os bolsos. “Mesmo com a valorização desse segmento, existem alternativas que atendem diferentes perfis”, acrescenta.

Entre os modelos com maiores variações nos últimos anos estão o Renault Clio (57,8%), Renault Logan (49,9%) e Ford Focus (44,9%); enquanto o Jeep Renegade (1,2%) ficou com a menor elevação no período. Por outro lado, os modelos Nivus (-3,5%) e T-Cross (-5,4%), ambos da Volkswagen, registraram as quedas mais acentuadas nos últimos cinco anos.

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