Ceasa Minas prepara pacote de R$ 470 milhões para recuperação e expansão no Estado
Decidida a superar o desafio do sucateamento, a Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas) articula um pacote robusto de investimentos da ordem de R$ 470 milhões para a recuperação e modernização da infraestrutura. Os recursos estão atrelados à renovação dos contratos de concessão de uso (CCU) das áreas do entreposto e devem entrar a partir do segundo semestre deste ano.
As informações foram reveladas com exclusividade ao Diário do Comércio pelo presidente da Ceasa Minas, Hideraldo Henrique Silva. O plano de intervenções foca em gargalos operacionais históricos, como recapeamento geral da área, nova subestação de energia, investimentos em tecnologia e pessoas, além da descentralização a partir da criação dos primeiros entrepostos da Ceasa no interior mineiro.
De acordo com o dirigente, o maior desafio hoje é transformar uma companhia estatal, que por muitos anos ficou no Plano Nacional de Desestatização, em uma estrutura moderna e produtiva. “Queremos recuperar a infraestrutura física que ficou sucateada, investir em tecnologia e, principalmente, investir em pessoas”, ressaltou.
A primeira etapa, segundo ele, consiste no reforço da segurança da área a partir da aquisição de drones e mais de 200 câmeras para o monitoramento geral da Ceasa. Os aportes também devem ser direcionados a uma nova subestação de energia, já que hoje a central opera no limite da capacidade.
Além da unidade principal, a receita a partir da renovação de contratos viabiliza o plano de descentralização da Ceasa por Minas Gerais. A ideia é construir novos entrepostos, contemplando as regiões do Sul de Minas, Sudoeste, Norte e Vale do Jequitinhonha.
A expansão tem potencial de fortalecer as economias regionais, bem como reduzir custos logísticos para o produtor rural. “Já contratamos uma fundação ligada a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para elaborar um estudo de viabilidade em quatro regiões, que já está em fase avançada e caminhando para se concretizar”, detalha Silva.
Impactos econômicos da guerra ainda são especulativos
Apesar das incertezas quanto ao atual cenário geopolítico, marcado por conflitos entre Estados Unidos, Irã e Israel, que podem afetar o preço de combustíveis como diesel e gasolina, os impactos nos custos, como do transporte e de alimentos, ainda são avaliados como incertos.
“Até o momento, do meu ponto de vista como cidadão, o impacto é mais especulativo, porque o mercado brasileiro ainda não foi atingido. O governo federal zerou o PIS/Cofins, o que ajudou a equilibrar a situação”, avalia o dirigente.
Ainda assim, a Ceasa Minas avalia que, em um eventual impacto, a estratégia deve se concentrar na redução de custos. Dentre as frentes trabalhadas, está o investimento em energia solar fotovoltaica, capaz de reduzir o valor da energia elétrica para os concessionários, equilibrando o mercado diante de possíveis altas nos preços.
Para o futuro, a expectativa é ampliar a competitividade, com o comércio variado de hortigranjeiros. “Também esperamos que os atores que atuam na Ceasa Minas, como trabalhadores, carregadores e caminhoneiros, possam tirar proveito disso como fonte de renda para levar sustento às suas famílias”, finaliza Hideraldo Henrique Silva.
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