Economia

Cesta básica tem aumento em BH e representa 46,95% do salário mínimo em março

Em março de 2026, valor atingiu R$ 761,13; fatores como custos de produção e safra explicam a alta, mas queda é esperada
Cesta básica tem aumento em BH e representa 46,95% do salário mínimo em março
Foto: Alessandro Carvalho / Diário do Comércio

A alimentação ficou mais cara para o morador de Belo Horizonte em março, segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). O custo da cesta básica subiu 3,33% em março de 2026 na capital mineira.

Com isso, o valor da cesta atingiu R$ 761,13, o equivalente a 46,95% do salário mínimo vigente, de R$ 1.621,00. Apesar da alta de fevereiro para março, a proporção do salário mínimo em relação ao valor da cesta básica é menor do que em 2025. No acumulado de 12 meses, o custo da cesta básica em BH recuou 2,50%.

Em março do ano passado, essa proporção era de 51,43% e a cesta estava R$ 19,53 mais cara do que atualmente. Ou seja, houve ganho no poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica nos últimos 12 meses.

O gerente de pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes, aponta que diversos fatores contribuíram para a alta nos preços dos itens de consumo básico da população de BH.

“Muitos fatores estão associados a essa elevação: custos de produção, problemas de safra, como no caso do feijão, frete caro por conta do diesel, o que impacta diretamente no preço final ao consumidor”, explica.

Os “vilões” do mês

Banana-caturra (14,23%), feijão-carioquinha (13,98%) e tomate (6,99%) foram os alimentos com as altas mais expressivas. Na contramão, manteiga (-2,49%), arroz (-1,83%) e pão francês (-0,82%) trouxeram algum alívio para o bolso dos moradores da capital.

“O feijão já vem apresentando essas altas desde fevereiro. Tanto que, no ano, já subiu praticamente 23%. Isso se deve a problemas na safra, que foi menor, gerando impacto direto na cesta básica. Por isso, houve essa variação expressiva”, detalha Antunes.

Preço pode cair

Eduardo Antunes aponta que há perspectivas de redução no valor da cesta básica nos próximos meses, mesmo diante de um cenário econômico menos previsível do que o habitual.

“Quando olhamos para janeiro, fevereiro e março de 2025, a cesta básica também apresentou esse movimento de alta desde janeiro. Por isso, creio que podemos esperar que, a partir de abril, ela volte a cair, perdendo um pouco dessa pressão inflacionária causada pelos produtos que sofrem com safras ruins e pelos custos de frete e transporte. Logo, a cesta tende a voltar a patamares mais razoáveis”, conclui o pesquisador.

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