Economia

Preço da CNH cai quase pela metade em BH em um ano

Estudo aponta redução de 46,17% no custo total, mas pesquisa de preços entre autoescolas continua essencial para consumidores
Preço da CNH cai quase pela metade em BH em um ano
Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

O custo médio para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) caiu 46,17% nas autoescolas de Belo Horizonte neste ano na comparação com 2025. A conclusão é de levantamento feito pelo site Mercado Mineiro, divulgado nesta segunda-feira (23). Apesar da redução, a variação de preços encontrada entre estabelecimentos de formação de condutores é grande e exige pesquisa por parte do consumidor.

Segundo o estudo, feito entre os dias 9 e 13 de março em 24 empresas da Capital, o valor médio da CNH passou de R$ 2.255,99 no ano passado para R$ 1.214,45 neste ano. Para pagamento à vista, a queda foi de 41,96%, e saiu de R$ 2.002,70 para R$ 1.162,45.

A redução dos preços na Capital condiz com as mudanças implementadas pelo governo federal no processo de habilitação. As medidas diminuíram a carga obrigatória de aulas e flexibilizaram etapas. O pacote de aulas práticas, por exemplo, teve queda de 39,60%, passando de R$ 1.426 para R$ 861,25, com redução da carga média de 20 para 10 aulas nos pacotes ofertados.

Já os exames médicos e psicotécnicos registraram recuo de 59,37%, com o valor médio passando de R$ 442,97 para R$ 180. Segundo o administrador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, a diminuição dos custos está diretamente ligada à simplificação do processo.

Ele afirma que as mudanças reduziram serviços e exigências, o que impactou o preço final. “O governo facilitou de uma certa forma, e isso reduziu a quantidade de horas. O curso de legislação praticamente ficou opcional, já que pode ser feito gratuitamente no site do Detran, o que tirou cerca de R$ 400 do custo”, diz.

Abreu também aponta a flexibilização no uso de veículos como fator relevante. “A questão do aluguel de carro diminuiu, já que agora é possível usar o próprio veículo. Isso tudo vem da redução da complexidade que era tirar a carteira”, afirma.

Novo modelo

As mudanças no processo de habilitação alteraram a lógica do sistema. Até 2025, o modelo exigia curso teórico presencial de 45 horas-aula e, no mínimo, 20 horas de prática em veículos das autoescolas.

Em 2026, o curso teórico passou a ser facultativo, com conteúdo gratuito disponibilizado online, e a carga mínima prática foi reduzida para duas horas. Também foram autorizados a realização das aulas com instrutores autônomos credenciados e o uso de veículo próprio, desde que atendidos os requisitos.

As provas teórica e prática continuam obrigatórias, mas o foco deixou de ser a carga horária e passou a ser o desempenho do candidato.

Diferença de preços entre estabelecimentos

Apesar da queda generalizada, a pesquisa aponta grande variação entre os preços cobrados em Belo Horizonte. O pacote completo à vista pode variar de R$ 480 a R$ 1.947, diferença de 305%. O valor total do processo vai de R$ 513 a R$ 1.950, variação de 280%.

Nas aulas práticas, para pacotes com dez aulas, os preços vão de R$ 280 a R$ 1.300, uma diferença de 364%. O aluguel do veículo varia entre R$ 180 e R$ 320.

Para Abreu, a disparidade está relacionada à concorrência e às características das autoescolas. Ele afirma que fatores como localização e estrutura influenciam diretamente os preços e que o setor passa por um período de adaptação. “As diferenças são grandes em função da concorrência entre as autoescolas. Muitas estão com dificuldade de sobreviver porque o faturamento caiu, inclusive nos exames médicos e psicotécnicos”, pontua.

Demanda e atenção do consumidor

Com a redução dos custos, a expectativa é de aumento na procura pela habilitação. Segundo Abreu, o preço mais baixo pode estimular pessoas que antes dirigiam sem carteira a regularizar a situação. Ele ressalta, no entanto, que a redução de exigências exige atenção do candidato.

“É benéfico para o bolso do consumidor, mas é preciso ver se ele vai conseguir passar. Se tiver pouco preparo, pode não conseguir tirar a carteira. O importante é ser um bom motorista”, defende.

Mesmo com o novo cenário, a orientação é que o consumidor pesquise antes de contratar o serviço, avalie o que está incluído no pacote e considere custos adicionais, como aulas extras e taxas obrigatórias, que em Minas Gerais somam cerca de R$ 527,40.

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