Comerciantes estão preocupados com as demissões da AngloGold

Mineradora realizou desligamentos em massa no complexo Córrego do Sítio em Santa Bárbara, na região Central de Minas

29 de agosto de 2023 às 0h28

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Produção do complexo minerário Córrego do Sítio, em Santa Bárbara, na região Central, foi suspensa na semana passada pela AngloGold Ashanti; cerca de 650 funcionários foram demitidos | Crédito: Divulgação/AngloGold

A demissão em massa realizada pela AngloGold Ashanti em Santa Bárbara, na região Central de Minas Gerais, tem preocupado os empresários do setor comercial do município, que temem um impacto negativo nas vendas. Segundo os comerciantes, o dinheiro e os benefícios que os trabalhadores recebiam eram gastos diretamente na cidade e giravam a atividade econômica local. 

Na semana passada, a mineradora decidiu suspender a produção do complexo minerário Córrego do Sítio e encerrar o contrato de trabalho de cerca de 650 funcionários. De acordo com a empresa, a unidade estava operando com resultados operacionais negativos e um alto custo crescente ao longo dos últimos anos, o que culminou em um cenário inviável de continuidade das operações. 

A proprietária do Supermercado Mais Você, Miriam Campos Baptista, acredita que o impacto das demissões será imediato em seu estabelecimento. Conforme ela, os demitidos deverão mudar de postura já neste momento, sabendo que no próximo mês não estarão mais empregados e, dessa forma, não vão consumir o que geralmente consumiam quando contratados. 

A empresária também ressalta que os trabalhadores normalmente utilizavam vale-alimentação para efetuar as compras e agora não terão mais disponível essa forma de pagamento, impactando diretamente as negociações. Indiretamente, ela afirma que serão impactados pela diminuição do consumo outros setores, como em uma loja de vestuário, na qual o proprietário estará vendendo menos e, consequentemente, comprará menos no supermercado. Ou seja, o efeito-cascata,

Ainda segundo Miriam Baptista, além dos colaboradores da AngloGold que foram mandados embora, postos de trabalho indiretos também foram fechados, o que reflete nos negócios. “Não eram apenas os empregados da mineração. Havia uma cozinha, por exemplo, que atendia aos funcionários da empresa com marmitas e almoços e, muitas vezes, produtos para abastecê-la eram comprados no comércio local. Então é uma ‘bola de neve’”, afirmou. 

Ela diz que a situação é alarmante e assustadora e tem deixado a todos preocupados, entretanto, está tentando se manter otimista. “Eu acredito que por ser uma região muito ligada à mineração, consiga absorver esses funcionários para não haver tanto desemprego. O meu pensamento positivo é que as outras mineradoras consigam absorver essa mão de obra”, ressaltou.

Impacto das dispensas da AngloGold será pior daqui a três meses, segundo empresária

A empresária Carla Barcellos também afirma que o setor comercial sentirá os efeitos das demissões da AngloGold, que terá ainda impacto na atividade turística. “O tanto de pessoas que terão que ir para outra cidade tentar emprego. Às vezes, a renda da casa vinha somente de um pai de família e agora ficaram sem. Então, vai refletir demais no comércio e no turismo”, disse. 

Na opinião dela, que é gerente do Karaíba Materiais de Construção e proprietária do Barão Supermercado – localizado em Barão de Cocais, município vizinho de Santa Bárbara –, o impacto será pior daqui a uns três meses, apesar de que hoje, mesmo com seguro-desemprego, haverá reflexos. “Se essas pessoas que estavam empregadas estavam começando a construir, com certeza vão agora guardar o dinheiro para ver o que vai acontecer, parando de girar dinheiro na cidade”, salientou.

Associação comercial diz estar buscando maneiras de mitigar os impactos; prefeitura não se posiciona

Procurada, a Associação Comercial e Empresarial de Santa Bárbara/Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Bárbara (Acisb/CDL) disse, em nota, que está monitorando a situação de perto e buscando maneiras de mitigar os possíveis impactos no comércio e na economia da região.

“Estamos comprometidos em promover a diversificação econômica, incentivando o empreendedorismo e facilitando a colaboração entre os diferentes setores”, destacou.

A Prefeitura de Santa Bárbara, por sua vez, não havia respondido, até o fechamento desta edição, às diversas tentativas de contato da reportagem para comentar sobre as possíveis dificuldades que o setor produtivo local poderá ter com as demissões da AngloGold. Também não respondeu acerca de uma provável perda de arrecadação que o município poderá ter com a paralisação da produção da mineradora e nem se mantém conversas com a empresa para solucionar eventuais problemas.

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