Comércio de Mariana se recupera após tragédia da Samarco

Após oito anos, as empresas operam dentro da normalidade em Mariana e não sentem mais os efeitos do rompimento da barragem da Samarco

7 de novembro de 2023 às 0h31

img
A Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Mariana atua em busca da diversificação econômica da cidade | Crédito: Andre Minatowicz

Os impactos do rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, na região Central do Estado, já não são mais sentidos pelo comércio local. Embora o estrago tenha sido gigantesco no período, o empresariado encontrou oportunidades, se adequou a nova realidade e vem trabalhando normalmente. A tragédia, que matou 19 pessoas e é considerada um dos maiores desastres ambientais da história do País, completou oito anos nessa segunda-feira (6).

De acordo com o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Mariana (Aciam), Amarildo Pereira, não se pode dizer que as empresas da cidade ainda sentem os efeitos da tragédia. Ele, que também é diretor da Federação das Associações Comerciais, Industriais, Agropecuárias e de Serviços do Estado de Minas Gerais (Federaminas), ressalta que, por mais que os empresários tenham sofrido bastante com o desastre, o patamar de hoje é muito diferente.

“Hoje estamos dentro de uma normalidade. Claro que é uma nova realidade. Com um impacto tão grande como aquele, não podemos falar que as perspectivas não mudaram, mas o rompimento da barragem também trouxe novas oportunidades. A Fundação Renova, por exemplo, talvez não nos atendam da forma que imaginamos que deveria, priorizando as contratações da mão de obra da região e comprando materiais na cidade, mas existem impactos positivos”, salientou.

Conforme Pereira, na época da tragédia, contratos de empresas foram cancelados e, provavelmente, várias tiveram que fechar suas portas. Entretanto, o tempo passou e os negócios foram descobrindo novos nichos e se adequando as necessidades do mercado que, segundo ele, é quem, de fato, define se uma companhia vai se manter de pé ou encerrar as atividades. 

Retorno das operações da Samarco em Mariana ajudou a aquecer a economia

Em dezembro de 2020, cinco anos após o desastre, a Samarco voltou a operar em Mariana. Na ocasião, a joint venture entre a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP, retomou os trabalhos no Complexo de Germano, local onde funcionava a barragem de Fundão, com 26% de sua capacidade produtiva. Atualmente, o patamar está na casa dos 30%, conforme a empresa. 

O presidente da Aciam destaca que a volta das operações da mineradora foi primordial para a retomada das companhias no município. Nesse sentido, ele afirma que foi preciso se adequar a nova realidade do setor mineral, que trabalha hoje sem barragens, com a tecnologia a seco. 

Necessidade de diversificar a economia 

Pereira também enfatiza que cerca de 95% da economia de Mariana é proveniente da mineração e que os trabalhos das mineradoras são extremamente importantes para a região. Entretanto, o dirigente ressalta que é preciso não depender do setor. De acordo com ele, a Aciam tem feito trabalhos na direção da diversificação econômica do município e tem cobrado do poder público por ações, haja visto o que aconteceu com a tragédia na cidade, bem como em Brumadinho.

O executivo ainda reitera que é necessário destacar as iniciativas das instituições do Terceiro Setor no acompanhamento de projetos que atendam o empresariado de Mariana como um todo. E avalia que a tragédia, infelizmente, foi devastadora e que ninguém queria que acontecesse, mas que os empresários não podem esquecer que as grandes mineradoras geram riqueza para a cidade. 

Acordo na Justiça deve ocorrer em dezembro

Após tantos anos de espera, a repactuação do acordo de reparação aos danos causados pela tragédia parece que, enfim, sairá do papel. Em calendário estabelecido pelo Tribunal Regional Federal da 6ª região (TRF-6), responsável por conduzir o caso na Justiça brasileira, indica que o processo deve ser concluído no dia 5 de dezembro. É válido ressaltar, que corre na Corte inglesa, outra ação contra a Vale e BHP, cujas indenizações aos atingidos podem chegar a R$ 230 bilhões.

Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail