Economia

Comércio mineiro aposta em alta das vendas no primeiro semestre de 2026

Segundo economista da Fecomércio MG, resultados são reflexo de um mercado de trabalho aquecido e de um ganho real de rendimento das famílias
Comércio mineiro aposta em alta das vendas no primeiro semestre de 2026
Foto: Gil Leonardi/ Imprensa MG

A maioria das empresas de Minas Gerais (63,1%) acredita que as vendas do primeiro semestre deste ano deverão superar aquelas feitas no segundo semestre do ano passado. Além disso, 62,9% dos empresários do comércio consideram que o movimento dos últimos seis meses de 2025 atendeu às expectativas para o setor.

As conclusões fazem parte de pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência e Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), divulgada nesta segunda-feira (9). Veja abaixo os principais resultados da pesquisa:

As vendas no 2° semestre do ano passado alcançaram suas expectativas?

  • 62,9%: sim;
  • 36,0%: não;
  • 1,2%: não sei/ não quero avaliar.

Acredita que as vendas no 1° semestre deste ano serão melhores que as do 2° semestre do ano passado?

  • 63,1%: sim;
  • 36,4%: não;
  • 0,5%: não sei/ não quero avaliar.

Por qual motivo acredita que as vendas no 1° semestre deste ano serão melhores que as do 2° semestre do ano passado?

  • 56,3%: otimismo/ esperança;
  • 29,8%: aquecimento do comércio;
  • 21,0%: novos produtos no mercado;
  • 9,9%: ações da loja;
  • 7,4%: o 1° semestre é sempre melhor;
  • 3,3%: momento político;
  • 2,6%: ampliação da loja;
  • 2,6%: medidas do governo;
  • 1,8%: outros;
  • 1,1%: nenhum motivo;
  • 0,4%: datas comemorativas;
  • 0,4%: não sei/ não quero avaliar.

De acordo com a economista da entidade, Gabriela Martins, os resultados são reflexo de um mercado de trabalho aquecido e de um ganho real de rendimento das famílias, “o que reduz a cautela do consumidor na hora de consumir e impulsiona o comércio”.

“Apesar dos desafios enfrentados atualmente, como as altas taxas de juros vigentes, tanto para o consumidor, quanto para o empresário, o que eleva substancialmente o custo do crédito e o endividamento das famílias, o mercado de trabalho aquecido e o ganho real de renda das famílias gera um espaço para os empresários do comércio continuarem aumentando suas vendas”, explica a economista.

“Além disso, as apostas estratégicas do empresário como, por exemplo, propagandas, promoções e atendimento diferenciado, e as datas comemorativas podem auxiliar ainda mais na evolução do volume de vendas do varejo”, afirma Gabriela Martins.

Conforme as empresas ouvidas, 43,9% usarão divulgação e propaganda para estimular as vendas neste ano; enquanto 30,4% usarão promoções e 26% investirão no “atendimento diferenciado”.

Datas comemorativas e expectativa para todo o ano

Algumas datas comemorativas devem ajudar na obtenção de vendas melhores no primeiro semestre, segundo a opinião de 45,1% dos empresários entrevistados. Para esses, os momentos mais rentáveis serão, na ordem: Dia das Mães, Carnaval e Dia dos Namorados. Nessas ocasiões, o cartão de crédito parcelado deve se sobressair como meio de pagamento para 35% das empresas. O Pix aparece em segundo com 33,9%, e o cartão de crédito à vista com 20%.

Já quando chamados a avaliar a expectativa para o ano todo, 55,5% das empresas acreditam que seus resultados serão melhores se comparados ao ano passado, enquanto 36,7% esperam resultados similares, e 7,7% aguardam resultados piores.

“As empresas justificam sua apreensão apontando para o momento político e econômico do País, a concorrência desleal e o endividamento do consumidor. Entre as empresas que possuem expectativa de melhora, otimismo/esperança, aquecimento do comércio e novos produtos no mercado se destacam como justificativas”, destca a Fecomércio MG, em nota.

Pesquisa foi feita com 434 empresas de todo o Estado

A pesquisa “Expectativa de Vendas 1º Semestre” foi realizada pela Fecomércio MG entre os dias 19 e 26 de janeiro e ouviu 434 empresas, com pelo menos 38 em cada região do Estado (Alto Paranaíba, Central, Centro-Oeste, Jequitinhonha-Mucuri, Zona da Mata, Noroeste, Norte, Rio Doce, Sul de Minas e Triângulo). A margem de erro da amostra, segundo a Fecomércio MG, é de 5% e o intervalo de confiança é de 95%.

A Fecomércio MG é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no Estado e abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Veja mais dados do levantamento:

Segmentos das empresas que participaram da pesquisa

  • 21,8%: produtos alimentícios, bebidas e fumo;
  • 20,2%: tecidos, vestuário e calçados;
  • 11,8%: material de construção;
  • 10,4%: produtos farmacêuticos e perfumaria;
  • 10,4%: veículos e motocicletas, partes e peças;
  • 5,6%: combustíveis e lubrificantes;
  • 5,6%: joias, ótica, artigos recreativos e esportivos e eletroeletrônicos;
  • 4,9%: móveis e eletrodomésticos;
  • 4,6%: informática, telefonia e comunicação;
  • 4,6%: livros, jornais, revistas e papelaria.

Há quanto tempo sua empresa atua no mercado?

  • 28,5%: de 20 a 50 anos;
  • 26,9%: de 10 a 20 anos;
  • 26,2%: de 5 a 10 anos;
  • 10,0%: de 2 a 5 anos;
  • 3,7%: acima de 50 anos;
  • 2,8%: não sei/não quero avaliar;
  • 1,9%: até 2 anos.

Quantos funcionários têm a sua empresa?

  • 61,3%: até 9 funcionários;
  • 36,4%: de 10 a 49 funcionários;
  • 0,9%: de 50 a 99 funcionários;
  • 0,9%: não sei/não quero avaliar;
  • 0,5%: mais de 100 funcionários.

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