Comitê decide fechar o comércio de BH novamente

Apenas as atividades essenciais poderão funcionar a partir de segunda-feira (11)
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Comitê decide fechar o comércio de BH novamente
Kalil (PSD) | Crédito: Reprodução/Instagram

Pouco mais de cinco meses. Este foi o tempo que atividades não essenciais puderam funcionar em Belo Horizonte desde a chegada da pandemia de Covid-19. As últimas medidas mais duras na cidade foram tomadas no final de junho do ano passado. Depois, no início de agosto, teve início a liberação gradual do funcionamento dos estabelecimentos. Mas, diante do sucessivo aumento dos casos e da ocupação recorde dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a Capital voltará a ter apenas atividades essenciais autorizadas a funcionar a partir da próxima segunda-feira (11).

Por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) comunicou o novo fechamento da cidade e lamentou a decisão, tomada após reunião do Comitê de Enfrentamento à Covid-19. Ele justificou o aviso antecipado ao direito do comerciante de se preparar para o decreto que será publicado na sexta-feira (8).

“Chegamos ao limite da Covid-19. Na segunda, a cidade volta à estaca zero. Eu, mais uma vez, peço desculpas, mas não tive alternativa. Não vamos fazer de Belo Horizonte um pandemônio, porque estamos a dias da vacina e do fim dessa tragédia. Nós estamos preparados para vacinar, temos estrutura, mas parece que ninguém está entendendo a gravidade dessa doença”, alertou.

Os detalhes do fechamento serão conhecidos amanhã, mas já se sabe que será permitida apenas a abertura de atividades como farmácias, supermercados, padarias, sacolões, açougues, postos de combustíveis, óticas, lojas de material de construção, agências bancárias, entre outros. No anúncio, Kalil adiantou que praças públicas e o zoológico também poderão continuar funcionando.

Alerta – Em 30 de dezembro, em entrevista coletiva, o prefeito alertou que determinaria na semana seguinte o fechamento do comércio não essencial caso os índices de ocupação dos leitos na cidade e de transmissão do vírus não caíssem. De acordo com o boletim epidemiológico de ontem, o nível de transmissão está em 1,06 (amarelo), o de ocupação de leitos de enfermaria em 63,9% (amarelo) e o de UTI em 86,1% (vermelho) – nível recorde para o indicador.

Reunião – A decisão do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da PBH pegou representantes dos setores de comércio e serviços de surpresa. Pouco antes do anúncio do prefeito, em contato com a reportagem, o presidente do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato, afirmou que cada dia aberto era uma vitória, visto que os índices estão crescendo. “Temos pedido que o comércio não seja fechado, porque o movimento ainda é fraco, os shoppings estão vazios e o hipercentro sem movimento”, afirmou.

Horas depois confirmou que aguardava uma reunião nesta sexta-feira, mas que a decisão já havia sido tomada. “Entendemos que os números estão altíssimos e só piorando. Apostávamos que fossem diminuir, mas infelizmente isso não ocorreu. A partir de agora, buscamos uma reunião com o prefeito e até com o Comitê para tentar amenizar esse fechamento”, completou.

Entidades propõem alternativas

Por meio de nota, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) comunicou o envio de um ofício à Prefeitura reivindicando a permanência do comércio aberto. A justificativa da entidade é que não há nenhum dado que correlacione o aumento do número de casos graves com a reabertura do comércio.

“Há uma conjuntura de fatores que direcionam a elevação do número de casos, graves ou não, mas que não apresentam conexão direta com o funcionamento do comércio na Capital”, argumenta a entidade.

A CDL-BH disse que reivindicou também a reabertura de leitos que foram desativados, já que em 4 de agosto, data em que teve início a reabertura gradual do comércio, havia 424 leitos de UTI da Rede SUS para tratamento de Covid-19, enquanto no último dia 5 de janeiro, o Boletim Epidemiológico mostrou 247 leitos de UTI. “Caso os 424 leitos estivessem funcionando, hoje teríamos uma taxa de ocupação de 51%, índice bem abaixo do atual”, denunciou o presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva.

Neste sentido, o vereador Léo Burguês, líder do governo na Câmara de Vereadores, revelou que a Prefeitura estuda a abertura de novos leitos de Terapia Intensiva e também a contratação de mais profissionais da saúde.

Também por meio de nota, a Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) endossou o coro de que “definitivamente não há nenhuma comprovação científica de que a reabertura do comércio seja a responsável pelo aumento de casos de Covid 19 na cidade” e disse que quer propor algo diferente sobre o fechamento do comércio, uma vez que as novas restrições vão gerar mais uma enorme onda de fechamento de empresas e de perda de empregos.

“Temos que lembrar que o comércio é o responsável por 72% do PIB (Produto Interno Bruto) da nossa Capital e gera mais de um milhão de empregos. O fechamento radical vai interromper o processo de recuperação das empresas. Não há necessidade. Temos que achar um caminho do meio. Dialogaremos com a Prefeitura para encontrar uma alternativa que atenda a proteção à vida e ao empresariado. Afinal o dia tem 24 horas”, argumentou o presidente da entidade, José Anchieta da Silva.Procurada, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) não se manifestou até o fechamento desta edição. (MB)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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