Compra das ações da Nippon e da Mitsubishi pela Ternium diminui conflitos na Usiminas
A venda das ações da Nippon Steel e da Mitsubishi Corporation na Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) para a Ternium Investments foi concluída nesta semana. Com isso, o Grupo Ternium passou a ter participação de 92,9% no controle da empresa, enquanto a Previdência Usiminas (fundo de pensão dos empregados da companhia) seguiu com 7,1%.
Na avaliação do economista da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, a operação reduz significativamente a paralisia decisória e as disputas históricas no bloco de controle. Ele ressalta que a siderúrgica sempre conviveu com conflitos relevantes entre os principais acionistas, algo que gerava frequentemente ruído e incerteza na execução estratégica.
“Com a consolidação do controle nas mãos da Ternium, a estrutura societária fica mais unificada, o que tende a trazer maior previsibilidade e agilidade nas decisões”, destaca.
Após o fechamento da transação, a Ternium também ficou com 71% das ações ordinárias da Usiminas, resultando em um controle bastante concentrado e com maior alinhamento estratégico, que traz tanto benefícios quanto responsabilidades.
“Um controlador dominante tende a reduzir conflitos internos e acelerar decisões, especialmente de capex”, afirma Sharau.
“Por outro lado, o mercado passa a monitorar com mais atenção a proteção aos acionistas minoritários, sobretudo em temas como política de dividendos, eventuais reestruturações societárias ou operações que possam gerar diluição”, pondera o economista, mencionando que, caso não haja transparência e equilíbrio, isso pode se refletir no prêmio de risco e, consequentemente, no preço dos papéis da companhia.
Desafio de transformar o movimento em ganhos de margem e geração de caixa
Em relação aos próximos passos, a grande questão é como a nova configuração do controle pode impactar a eficiência operacional da Usiminas, segundo Sharau.
O economista recorda que o setor siderúrgico passou recentemente por um ciclo de preços mais pressionados, exigindo das empresas disciplina de capital, ganho de produtividade e investimentos contínuos em eficiência. Ele explica que, com o controle consolidado pela Ternium, as decisões estratégicas podem, sim, ser aceleradas, porém o efeito no resultado não é imediato, pois capex leva tempo para maturar e depende do ciclo econômico do aço.
“A configuração de menos sócios com poder de veto tende a tornar o processo decisório mais célere, mas a qualidade da alocação de capital continuará sendo determinante. O desafio é transformar essa simplificação societária em ganhos concretos de margem e geração de caixa”, ressalta.
Ruídos de fechamento de capital podem aumentar
Com a saída dos grupos japoneses e o maior controle por parte do grupo ítalo-argentino, podem aumentar os ruídos de fechamento de capital da Usiminas, na opinião do analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi. Esse movimento é visto como factível.
Avaliando a venda das ações da Nippon e da Mitsubishi, ele considera a operação como neutra para a Usiminas. O especialista diz que, provavelmente, as empresas decidiram sair por falta de interesse em continuar atuando em um mercado marcado por forte concorrência com aço importado e sem reação do governo. Do lado da gestão, Galdi não visualiza grandes mudanças, porque o maior poder de voto na companhia já era da Ternium.
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