Economia

Confiança do comércio de Belo Horizonte recua em janeiro

Grupo de empresas com até 50 funcionários apresentou menos confiança que aquelas com mais de 50 colaboradores na capital mineira
Confiança do comércio de Belo Horizonte recua em janeiro
Foto: Charles Silva Duarte Arquivo Diário do Comércio

A confiança dos empresários do setor de comércio de Belo Horizonte recuou em janeiro frente ao mês anterior. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) fechou o primeiro mês do ano com 97,5 pontos, valor 3,5 pontos abaixo do registrado em dezembro de 2025 (101).

A pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG) demonstra que o grupo com até 50 funcionários apresentou uma queda de 3,6 pontos, de 100,9 para 97,3 no mês passado. Por outro lado, aqueles com mais de 50 empregados subiram de 106,5 para 107,4 pontos, alta de 0,9 no mês.

O segmento de bens semiduráveis registrou 103,5 pontos no indicador, enquanto o grupo dos não duráveis fechou o período com 1001,5 pontos. Já o segmento de bens duráveis marcou 89,6 pontos em janeiro deste ano.

A pontuação do Icec varia entre zero e 200, sendo que os valores abaixo de 100 pontos indicam pessimismo e retração nas expectativas, enquanto pontuações acima desse limite representam um cenário de otimismo e satisfação dos empresários. Ele é subdividido em outros três indicadores, são eles: Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec), Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) e Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC).

A economista da Fecomércio-MG Gabriela Martins explica que já é esperado que empresas de maior porte e com mais empregados apresentem um nível de confiança mais elevado do que aquelas de menor porte. Isso porque, segundo ela, esse primeiro grupo possui maior estrutura financeira, melhor acesso ao crédito e maior capacidade de diluir custos e oscilações da demanda. “O que ajuda a enfrentar um cenário econômico mais adverso”, completa.

Loja T Market em BH
Loja T Market em BH | Foto: Diário do Comércio/ Ana Luisa Sales

A especialista esclarece que os negócios menores sofrem de forma mais imediata os efeitos do aperto das condições econômicas, como juros elevados, custo do capital e menor ritmo de consumo. “O que impacta negativamente a avaliação das condições atuais e as expectativas”, diz.

Mesmo assim, Gabriela Martins destaca que a intenção de contratar permanece relativamente elevada. De acordo com o levantamento, a intenção de contratação de pessoal chega a 68,4% dos empresários de Belo Horizonte.

“Refletindo a necessidade de recomposição de equipes após o período sazonal de fim de ano e a cautelosa expectativa de manutenção das vendas ao longo dos próximos meses”, descreve.

Avaliação negativa quanto às condições atuais

O Icaec fechou o mês de janeiro com uma redução de 2,1 pontos, atingindo 71,6 pontos. As empresas com mais de 50 empregados demonstraram maior satisfação com as condições atuais da economia para o comércio, com 84 pontos, contra 71,3 daquelas com até 50 funcionários.

A maioria (75,9%) dos respondentes avalia que a condição atual da economia piorou, sendo que 41,4% desses afirmam que piorou muito. As empresas de maior porte são as que mais contribuíram com essa percepção de piora, com um percentual de 76,1%.

Quanto às condições atuais do setor de comércio, 67,4% dos empresários apontam que houve uma piora nas condições atuais para o comércio, com 34,1% dizendo que piorou pouco. Nesse caso, as empresas que comercializam bens duráveis são as que mais perceberam piora, com 67,6% do total.

O indicador ainda demonstra que mais da metade (53,3%) dos empresários relatam condições piores em seus respectivos negócios, com 29,6% tendo pouca piora. O grupo com até 50 empregados responde pela maior participação, com 53,5%.

Expectativa em queda no comércio

Loja de roupas.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O IEEC fechou o último mês marcando 119,5 pontos, um resultado abaixo do observado em dezembro de 2025 (126,3). As empresas com menos de 50 empregados (123,7) e o grupo de semiduráveis (128,8) foram as que mais contribuíram para esse recuo nas expectativas.

Perguntados sobre as expectativas para o futuro da economia do Brasil, 55,4% dos empresários esperam por uma melhora no cenário, sendo que 36,6% apostam em uma leve melhora. Apesar do otimismo, o resultado é 4,9 pontos percentuais (p.p.) inferior ao observado no mês anterior.

Os empresários do setor de comércio da Capital também se mostraram menos confiantes quanto à melhora do cenário no setor se comparados com o mês anterior, baixando de 70,2% para 64,8% dos respondentes confiantes na evolução positiva para o segmento. Entre eles, 40,5% estimam uma melhora branda.

Já as expectativas dos empresários para suas empresas apresentaram retração de 4 p.p., com 74,4% acreditando que as vendas irão melhorar. Desse grupo, 45,1% esperam pouca melhora nos resultados dos negócios para os próximos meses.

Contratações em alta

Apesar da queda, o IIEC aponta que há um leve otimismo quanto aos planos de contratação, com 101,5 pontos. Esse valor é 1,4 ponto abaixo do observado no último mês do ano passado (102,9). As empresas com mais de 50 funcionários registraram a maior pontuação no indicador, com 114,4 pontos.

O estudo da Fecomércio-MG demonstra que a expectativa de contratação de funcionários alcança 68,4% dos empresários em janeiro, com 52,8% pretendendo fazer um leve aumento no quadro. As empresas com até 50 empregados são as que mais demonstram intenção, somando 68,5%.

O nível de investimentos da empresa é maior para 43,8% dos entrevistados, percentual abaixo do observado em dezembro (45,1%). A maioria (65,1%) das empresas com mais de 50 empregados avalia que o nível de investimentos apresentou aumento quando comparado ao resultado de dezembro.

Quanto à situação atual dos estoques, 59,6% das empresas relatam níveis adequados, enquanto 23,3% estavam com excesso de produtos no primeiro mês do ano e 16% relataram falta de itens.

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