Confiança do consumidor de Belo Horizonte aumenta 2,28% em janeiro
A confiança do belo-horizontino teve uma surpreendente melhora em janeiro de 2026. O Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), registrou 42,28 pontos, em uma escala que vai de 0 a 100, uma alta de 2,28% em relação a dezembro do ano passado.
O resultado está muito ligado a uma significativa percepção de melhora da situação econômica do País, com alta de 12,81%, e do crescimento do emprego, que subiu 8,68%. O responsável pela pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes, ressalta que janeiro “normalmente é um mês mais arrefecido, mais comedido com relação à confiança do consumidor de BH, e surpreendentemente subiu”.
A percepção sobre o emprego está em consonância com o último resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta que a taxa de desemprego do último trimestre de 2025 chegou a 5,1%, nível mais baixo da série histórica iniciada em 2012, o que corresponde a 5,5 milhões de pessoas buscando trabalho no período.
Nem as quedas de outros três dos seis critérios analisados no ICC-BH foram suficiente para puxar os números para baixo. A percepção de piora na inflação teve uma queda de 2,11%, assim como a situação financeira da família atual (-1,30%) e a pretensão de compra (-7,08%).
A piora destes dois últimos é justificada pela diferença entre os gastos com as festas do fim de ano e com a falta de uma data que impulsione as compras em janeiro, que é um período em que as pessoas já começam a honrar suas dívidas.
“Em janeiro a pretensão de compra recua mesmo. A gente vê pretensão de compra alta em dezembro, que é puxado por causa das festas de fim de ano, mas janeiro a gente tem mesmo uma queda, nada estimula esse indicador muito fortemente em janeiro”, avalia Antunes.
Os dados são melhores se comparados com a confiança do consumidor de janeiro de 2025 em BH, quando registrou 40,60 pontos. Já nos últimos doze meses, esse foi o terceiro melhor resultado da pesquisa, atrás apenas de maio (42,67) e de agosto (42,35) do ano passado. Apesar disso, é importante recordar que o ponto de inflexão entre pessimismo e otimismo no levantamento é a marcação de 50 pontos.
Possível sinal de melhora a longo prazo
O resultado atípico pode significar, segundo aponta Eduardo Antunes, uma possível melhora no indicador a longo prazo, mas o economista destaca que a volatilidade do índice torna a previsão difícil.
“De repente, pode ser um movimento de melhora no indicador a longo prazo. Nada garantido, mas é uma sensação, dado que isso (melhora em janeiro) já não é muito costumeiro de acontecer”, explica.
Mudanças municipais, estaduais ou federais podem influenciar fortemente neste dado ao longo do tempo, mas, em fevereiro, a expectativa é de melhora.
“Em fevereiro, o pessoal fica mais animado com o Carnaval, com viagens, aumenta um pouco o consumo e a percepção melhora, mas nada garantido, porque o índice é muito volátil”, finaliza Antunes.
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