Economia

Índice de Confiança da indústria mineira completa 14 meses de pessimismo

O pessimismo é explicado pela conjuntura macroeconômica, que segue adversa, impondo dificuldades para a indústria mineira
Índice de Confiança da indústria mineira completa 14 meses de pessimismo
Crédito: Leo Lara/Aestec

Com uma conjuntura macroeconômica ainda adversa, o empresário da indústria mineira começou 2026 da mesma forma que esteve no ano passado inteiro: pessimista. É o que aponta o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei-MG), medido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O indicador marcou 47,1 pontos em janeiro e ficou abaixo dos 50 pontos, limite que separa a falta de confiança da confiança. Foi o 14º mês consecutivo de pessimismo do setor.

Conforme explica a economista da entidade, Daniela Muniz, a conjuntura macroeconômica segue adversa no início deste ano, impondo dificuldades à indústria. Um exemplo disso é que a política monetária permanece restritiva, com juros elevados encarecendo o crédito, diminuindo o ritmo de investimentos e pressionando os custos financeiros das empresas.

Outro fator negativo refere-se ao alto nível de endividamento público do Brasil, o que reduz o espaço para estímulos fiscais, limitando a capacidade de impulso à demanda interna. A economista também cita a inflação, que embora apresente sinais de desaceleração, continua acima da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), afetando o poder de compra das famílias.

“No cenário internacional, temos algumas tensões geopolíticas que sempre atrapalham e geram insegurança para o comércio”, acrescenta. “Também estamos em um período mais protecionista dos Estados Unidos, que traz desafios adicionais às exportações das indústrias mineiras. Temos um setor exportador que está sofrendo com isso”, complementa.

De acordo com ela, o índice de confiança do empresário da indústria de pequeno porte foi de 41 pontos e o da de médio porte, 46,2 pontos, ou seja, ficou na linha do pessimismo, o que expressa que as empresas menores são mais sensíveis aos desafios citados. Por outro lado, o indicador da indústria de grande porte registrou 50,6 pontos, patamar que marca otimismo, refletindo o fato de as empresas maiores serem mais resilientes às dificuldades.

Percepção negativa sobre as condições atuais e neutra em relação aos próximos meses

Ainda que continue no campo da desconfiança e bem longe da média histórica, de 52,3 pontos, o Icei-MG de janeiro subiu 1,2 ponto na comparação com dezembro, o que sinaliza que a falta de confiança do setor está menos intensa e disseminada.

Na composição do indicador, o subíndice condições atuais apresentou alta de 0,3 ponto, mas ficou com 41,3 pontos, sinalizando que os empresários da indústria mineira mantêm uma visão pessimista sobre a situação atual da própria empresa e da economia do Brasil e de Minas Gerais. Por outro lado, o subíndice expectativas cresceu 1,7 ponto e chegou a 50,1 pontos, o que demonstra uma postura de neutralidade em relação aos próximos seis meses.

Daniela Muniz esclarece que a diferença de percepção entre presente e futuro reflete que o setor está cauteloso, porém, com esperança de que haverá uma estabilização das condições financeiras e uma retomada gradual da atividade industrial.

Segundo a economista, espera-se uma recuperação gradual da confiança do setor, condicionada, principalmente, à evolução da política monetária. Ela afirma que, diante dos sinais de desaceleração da inflação, o mercado está aguardando uma flexibilização do Banco Central (BC), o que traria alívio para os setores produtivos.

“Caso os juros comecem a recuar ao longo do ano e haja maior previsibilidade fiscal, a indústria acabará ganhando fôlego adicional”, diz. “Mas ainda temos fatores de risco, como o ambiente externo, que está incerto, e a demanda doméstica, que enfraqueceu”, ressalta.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas