Conflito no Oriente Médio gera restrições na oferta de combustíveis em Minas Gerais
O conflito no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo no mercado internacional continuam pressionando o abastecimento e os preços dos combustíveis em Minas Gerais. Entidades do setor alertam para dificuldades nas negociações comerciais e até restrições de oferta em algumas regiões.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, o mercado vive um momento de forte instabilidade após a recente disparada do petróleo. “No domingo (8) houve uma alta e o Brent chegou a US$ 119 por barril. Felizmente, esse valor recuou ao longo do dia seguinte e está atualmente na faixa de US$ 91 por barril. Mas ainda é um patamar muito elevado quando comparado às referências usadas pela Petrobras”, afirmou.
Para Araújo, o principal problema no momento não é a falta de combustíveis, mas a dificuldade de fechar acordos comerciais em meio à expectativa de reajuste de preços. “Os clientes que têm contrato estão recebendo produtos normalmente. Já aqueles que compram no mercado spot têm mais dificuldade para negociar”, explicou.
Ele afirma que importadores e refinarias privadas já trabalham com preços bem superiores aos praticados pela Petrobras, enquanto parte do mercado aguarda um eventual reajuste da estatal. O problema, segundo Araújo, não seria de disponibilidade de produto, mas de falta de acordo nas relações comerciais.
“A qualquer momento, quem está comprando produto importado ou de refinaria privada pode pagar mais caro do que já paga, porque não está pagando conforme a referência da tabela da Petrobras. E quem está comprando com a Petrobras está na expectativa de que a estatal, a qualquer momento, faça esse reajuste no preço. Então, acho que esse é o problema do mercado hoje”, pontuou.
O presidente da Abicom também destacou que a defasagem entre os preços domésticos e os internacionais se ampliou. No caso do diesel, a diferença chega a quase R$ 2 por litro, enquanto, na gasolina, gira em torno de R$ 0,90 por litro.
Minaspetro alerta para falta de combustível no interior
Sobre o assunto, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) informou ter recebido relatos de restrições na venda de combustíveis por parte da Vibra Energia (antiga BR Distribuidora), maior distribuidora do País.
Em comunicado divulgado pela entidade, a empresa teria limitado a oferta de etanol, gasolina e diesel, inclusive para postos de sua própria rede bandeirada, o que aumenta a preocupação no setor: “O Minaspetro monitora a situação e externa sua preocupação com a defasagem dos preços dos combustíveis e o repasse antecipado das distribuidoras”.
Para “piorar a situação”, conforme alerta do Minaspetro, a Vibra havia anunciado uma parada programada para o dia 14 de março para realização de troca de sistema, o que poderia restringir ainda mais a produção neste momento.
Porém, em nota enviada ao Diário do Comércio, a Vibra informou que “ao longo da semana, tivemos também desafios logísticos na cadeia de fornecimento em razão de questões climáticas, que impactaram pontualmente o fluxo de abastecimento no mercado”. De acordo com a companhia, a situação já foi normalizada e o atendimento rede vem sendo realizado 30% acima da média histórica.
“A Vibra acompanha de perto o cenário de abastecimento em seus mercados e atua continuamente para garantir seus compromissos com clientes e revendedores, buscando alternativas logísticas e operacionais para atender à demanda crescente observada em diversas regiões”, informou. A companhia orienta que os revendedores busquem seus líderes de território para quaisquer dúvidas ou esclarecimentos.
Postos de bandeira branca enfrenta mais dificuldade
O Minaspetro destaca ainda que os postos chamados de “marca própria”, conhecidos como bandeira branca, são os que enfrentam maior dificuldade para encontrar os produtos no mercado. Quando há oferta, os valores praticados estariam “exorbitantes”.
Ainda de acordo com o Minaspetro, já há relatos de postos sem combustível em cidades do interior de Minas Gerais, indicando que a situação pode se agravar caso a volatilidade do mercado internacional persista.
Biodiesel não resolve problema, diz Abicom
Em relação ao aumento da mistura de biodiesel no diesel, o presidente da Abicom avalia que a proposta não resolveria o problema.
“O biodiesel é mais caro que o combustível fóssil, e ainda seria necessário fazer testes para verificar a viabilidade técnica de ampliar esse percentual”, afirmou.
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