Construção teme colapso com a paralisia do MCMV

Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Construção teme colapso com a paralisia do MCMV
CREDITO:ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

O governo federal estaria utilizando o programa habitacional Minha casa, minha vida como barganha para aprovação da reforma da Previdência no Congresso. A falta de repasses das verbas do programa, que completou dez anos de implementação em março, poderá levar a um novo colapso da construção civil em todo o Brasil, provocando nova crise em cadeia e demissões em massa.

O alerta foi feito ontem pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). De acordo com o presidente da entidade, Geraldo Jardim Linhares, os atrasos dos repasses das verbas do governo federal para o programa tiveram início com o novo governo e chegam a 40 dias. No País, as cifras em aberto já somam R$ 450 milhões e poderão ultrapassar a casa de R$ 1 bilhão ao fim do primeiro semestre.

“No caso de Minas isso representa algo em torno de R$ 100 milhões em seis meses”, alertou o presidente em coletiva de imprensa.

Conforme ele, dados do setor mostram que a cada R$ 10 milhões investidos em obras quase 400 empregos diretos e indiretos são gerados, representando um investimento social e econômico para o País. Daí o risco de um novo colapso na atividade industrial e, consequentemente, na geração de emprego e renda.

“Todos sabem da importância da construção civil para o giro da economia e o desempenho de outras atividades. Somos um dos setores que mais emprega no País e, após nem termos saído da maior crise da história direito, já corremos o risco de entrar em outra, caso os repasses não sejam regularizados”, disse.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), responsável pelo programa do governo federal, informou que está em constante negociação com o Ministério da Economia para a antecipação de recursos. A Pasta destacou ainda que desde o início do ano liberou R$ 932,2 milhões para o programa.

De acordo com a previsão orçamentária do governo federal, o ministério conta com R$ 4,8 bilhões para executar o programa ao longo deste ano, dos quais R$ 3,9 bilhões destinados ao pagamento de obras já contratadas na faixa 1 e R$ 900 milhões em subsídio para as outras faixas. As pendências chegaram a R$ 450 milhões entre janeiro e março.

Assim, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) tem se reunido constantemente com membros do governo no intuito de alertar a União para as necessidades do setor e tentar a liberação dos recursos proporcional ao que está previsto no orçamento, sem vinculação ao andamento da reforma da Previdência.

No entanto, segundo o presidente do Sinduscon-MG, a resposta, até então, tem sido apenas no sentido de que o setor precisa ajudar a aprovar o projeto.

“Sabemos da importância e da necessidade da reforma e estamos orientando nossos representantes da Câmara e do Senado a não imporem limites por questões partidárias. Mas não podemos aceitar que o governo vincule a continuidade de um programa de sucesso como o ‘Minha casa, minha vida’ à aprovação do mesmo. Isso está totalmente fora do que foi acordado no fim do ano passado”, reiterou.

Importância – Para se ter uma ideia da importância dos recursos, dados do setor mostram que o programa representa dois terços do mercado imobiliário brasileiro. Em Belo Horizonte e Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), 60% das vendas de unidades novas foram construídas com recursos do “Minha casa, minha vida”.

“Trata-se de uma situação gravíssima, que gera descompasso no mercado e insegurança nas construtoras. E o problema maior é justamente para os pequenos, que ficam sem capital de giro e não conseguem dar continuidade às obras”, explicou.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas