Café deve ter safra 10% menor em 2019

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Café deve ter safra 10% menor em 2019
Cooperativa teve desempenho recorde em 2018 com 6,45 mi de sacas - Créditos: Arquivo DC

Embora a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), com sede no Sul de Minas Gerais, esteja otimista com relação ao desempenho em 2019, a cooperativa já espera receber menor volume de café neste exercício. A estimativa é de cerca de 5,8 milhões de sacas contra o recorde de 6,45 milhões de sacas recebidas no decorrer do ano passado.

Caso se confirme, a previsão irá representar uma baixa de aproximadamente 10% entre um exercício e outro. O motivo, segundo o novo presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, está na bienalidade negativa nos cafezais, processo natural em que a planta se recupera do maior direcionamento de energia para a frutificação na safra passada, sobretudo na espécie arábica.

“Em 2018 tivemos uma supersafra e agora teremos a bienalidade. Além disso, nossos resultados possivelmente serão influenciados ainda por dois outros fatores: o clima e a baixa dos preços da commodity no mercado internacional”, revelou.

Em relação ao clima, o presidente explicou que houve alta incidência de insolação no começo do ano, com temperaturas elevadas e seca. Já sobre os preços, ele disse que a cotação da saca está em patamares inferiores ao necessário, por exemplo, para cobrir os custos de produção, na casa dos US$ 360.

“São exemplos de fatores que já estão interferindo nas nossas expectativas, juntamente com a produção já estimada inferior, em virtude da bienalidade negativa nos cafezais”, completou.

No ano passado, a maior cooperativa de café do Brasil exportou 3,92 milhões de sacas de 60 quilos de café, frente a pouco mais de 4 milhões de sacas no ano anterior. As exportações diretas ocorreram para 51 países, enquanto 1,02 milhão de sacas foram destinadas para o mercado interno.

Para Melo, no geral, foi um resultado positivo, diante do contexto naquela ocasião.

“Tivemos números relevantes e já esperávamos resultados daquela ordem. No caso das exportações, houve interferência da greve dos caminhoneiros do ano passado, que atrapalhou a logística levando à retração”, comentou.

Segundo a Cooxupé, o recebimento de café pela cooperativa no ano totalizou um recorde de 6,45 milhões de sacas, contra 5,2 milhões de sacas em 2017.

Ainda conforme a cooperativa, a produção de café arábica em 2018 em sua área de atuação atingiu 8,4 milhões de sacas, consideravelmente acima das 6,68 milhões de sacas de 2017.

Com isso, a Cooxupé reportou um faturamento de R$ 3,793 bilhões em 2018, com sobras de quase R$ 144 milhões, 42% acima do ano anterior, e distribuição de pouco mais de R$ 50 milhões aos cooperados.

A cooperativa mantém mais de 14.500 cooperados, com produção de café arábica nas regiões do Sul de Minas Gerais, Cerrado Mineiro e Média Mogiana do Estado de São Paulo. Em 2018, a produção dos cooperados na área de ação da cooperativa foi de 8.4 milhões de sacas.

Novo presidente – A cooperativa também anunciou mudanças na diretoria, com um novo presidente executivo, após a realização da Assembleia Geral Ordinária, que elegeu os novos membros para a diretoria dos próximos quatro anos. A presidência passou para Carlos Augusto Rodrigues de Melo, que atuou como vice na gestão anterior, e a vice-presidência por Osvaldo Bachião Filho.

Carlos Alberto Paulino da Costa, que presidiu a cooperativa por quatro mandatos consecutivos, passou a ser membro do Conselho de Administração da Cooxupé, que também foi renovado junto com o Conselho Fiscal, durante a AGO.

Os principais desafios da nova gestão, conforme os eleitos, incluem a continuidade do trabalho que já vem sendo realizado e que consolidou a Cooxupé como uma cooperativa de credibilidade junto ao mercado brasileiro e internacional.

“Nossas expectativas são as mais otimistas e positivas possíveis, mas também sabemos a responsabilidade de assumir a cooperativa num momento como o atual. Não deveremos ter grandes mudanças, afinal, o passado foi muito positivo e o presente não nos inspira grandes alterações”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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