Copasa interrompe divulgação de plano de investimentos durante processo de desestatização
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) decidiu descontinuar a divulgação das projeções de investimentos para o período entre 2026 e 2030, estimadas em R$ 21 bilhões. A medida ocorre em meio ao processo de privatização da empresa, que deve ocorrer nos próximos meses e pode levar a uma revisão dos valores de investimento anunciados.
Em nota ao Diário do Comércio, a Copasa esclarece que a decisão se trata de um “período de silêncio” e ocorreu devido à necessidade de adequar a política de divulgação de projeções aos procedimentos adotados por consultores externos. A medida está relacionada à potencial oferta pública secundária de ações do Estado de Minas Gerais, no âmbito do processo de desestatização da companhia.
“Nesse período, os participantes da oferta devem abster-se de emitir comentários que possam afetar a cotação dos valores mobiliários ou condicionar o mercado, o que inclui a divulgação de estimativas e projeções futuras”, destaca a Copasa.
Mesmo com o fim da divulgação de projeções, a Copasa reitera o compromisso com a transparência e informa que as informações periódicas e eventuais, bem como os detalhes sobre a tese de investimento e metas operacionais, permanecem disponíveis. Tanto investidores quanto a sociedade terão acesso aos dados por meio de formulários cadastrais e demais documentos oficiais protocolados.
Questionada pela reportagem, a companhia não esclareceu se o plano de investimentos será mantido nem como ficarão os aportes para universalização do saneamento.
Uma fonte ligada ao mercado, que pediu para não ser identificada, destacou que a suspensão das projeções de investimento já é um processo esperado, bem como mais uma das confirmações que a privatização da Copasa está caminhando para se concretizar. “É um movimento de proteção para o processo de desestatização. Se o plano fosse mantido publicamente, ele poderia se tornar um inibidor legal, já que eventualmente a companhia poderia ser cobrada pelo cumprimento do que foi divulgado”, explica.
Segundo a mesma fonte, as metas, incluindo o plano de universalização do saneamento, regido pelo Novo Marco Legal (Lei 14.026/2020), devem continuar, embora sob eventuais revisões. “Quem comprar a Copasa terá todo o direito de revisar o plano de investimentos. É difícil imaginar que uma empresa adquira a Copasa e mantenha exatamente o mesmo planejamento”, argumenta.
Como empresa privada, a expectativa é administrar recursos de forma que amplie a lucratividade a eficiência operacional do negócio. A tendência apontada é de transformações em múltiplas frentes no médio prazo, desde mudanças na equipe, ajuste em tarifas, até na ampliação da terceirização, que hoje já é considerada significativa.
Plano de investimentos foi anunciado em dezembro com parte dos recursos destinados à universalização do saneamento
Em dezembro do ano passado, a estatal anunciou um plano de investimentos de R$ 21 bilhões para os cinco anos seguintes. À época, o conselho de administração aprovou o programa com aportes previstos para 2026, estimado em R$ 3,1 bilhões, além do Programa de Investimentos Plurianual para o período entre 2027 e 2030, com previsão de R$ 17,9 bilhões.
Entre as iniciativas definidas está a universalização dos serviços de esgotamento sanitário, em linha com o que estabelece o Novo Marco Legal do Saneamento.
Na ocasião, a companhia destacou ainda que o eventual comprador da Copasa deverá cumprir metas de prestação de serviços definidas pelo Poder Executivo, mesmo após a privatização. Entre elas está a universalização do acesso à água e ao esgotamento sanitário até 2033 em todos os municípios atendidos pela estatal, incluindo áreas rurais e núcleos urbanos informais consolidados.
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