Crise do diesel ameaça circulação de ônibus em Montes Claros, no Norte de Minas
A volatilidade no preço do diesel no Brasil já deve atingir diretamente a população de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, e pode afetar ainda mais os usuários de ônibus da cidade. Isso porque o consórcio MocBus, responsável pela operação no município, informou que enfrenta dificuldades para adquirir diesel, especialmente os tipos S10 e S500, e alertou para o risco de impacto na circulação dos coletivos nesta semana.
A situação ocorre em um contexto de pressão sobre preços e oferta do combustível. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) afirma que houve agravamento da escassez e aumento expressivo nos custos de aquisição, com relatos de estoques zerados e inviabilidade de carregamento em alguns casos.
Segundo a entidade, a Petrobras realizou, na última semana, leilão de diesel com valor R$ 1,78 acima do valor de tabela, o que elevou o custo ao longo da cadeia até chegar aos postos.
Impacto imediato e dificuldade de compra
O especialista em combustíveis Vitor Sabag afirma que os efeitos da crise foram praticamente instantâneos e que, agora, mais de duas semanas depois do início do conflito no Oriente Médio, já há uma dificuldade generalizada no setor de transportes. “Muitos postos estão com dificuldade de encontrar produto. Em Minas, houve problemas em bases como Uberaba, Uberlândia e também em Betim, o que afetou o carregamento”, declara.
Segundo Sabag, empresas com tanque próprio, como operadoras de transporte, tendem a sentir ainda mais o impacto. “Clientes com tanque interno ou que utilizam empresas Transportador, Revendedor, Retalhista (TRRs) tiveram muita dificuldade de comprar combustível, porque muitas distribuidoras priorizaram o atendimento a postos vinculados às suas marcas”, explica.
Pressão internacional e dependência externa
Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros de Minas Gerais (Fetram), Rubens Lessa Carvalho, o cenário combina aumento de custos e risco de desabastecimento com impacto direto sobre o transporte público.
“Além do custo ter subido em torno de R$ 1 por litro, ainda tem um problema de desabastecimento. O Brasil não é autossuficiente em óleo diesel. Nós exportamos petróleo bruto e importamos diesel”, diz. Segundo ele, há também insegurança no mercado diante da instabilidade internacional. “Já está tendo muita especulação, com preços subindo antes mesmo do produto chegar ao País”, observa.
Na visão de Sabag, é justamente a falta de autossuficiência em diesel que complica a balança comercial de combustíveis no Brasil, uma vez que o País não pode afastar os importadores. No entanto, mesmo com preços mais altos, a Petrobras ainda vende o combustível mais barato que o mercado, o que pode ocasionar uma repulsão do diesel importado.
“A partir do momento em que a Petrobras não alinha os preços dela aos preços do mercado externo, há um desestímulo às empresas que importam combustível. Elas não vão encontrar, de certa forma, mercado para vender esse produto. Só dependemos do produto externo, porque a gente não produz o suficiente para atender à nossa demanda”, avalia
Efeito na cadeia e no transporte
No caso de Montes Claros, a prefeitura informou que acompanha o cenário e mantém diálogo com o consórcio operador para tentar garantir a continuidade do transporte. A administração afirma que adotou medidas preventivas e que segue monitorando a situação para minimizar impactos à população.
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