Mão de obra pressiona e custo da construção civil sobe 7,62% em Minas
O custo da construção civil aumentou 7,62% em Minas Gerais nos últimos doze meses. A alta é a sexta maior entre os estados e representa um acréscimo de R$ 130 por metro quadrado (m²), fazendo o valor médio chegar a R$ 1.843 em fevereiro deste ano.
Os dados são do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) junto à Caixa Econômica Federal. Segundo o levantamento, o componente mão de obra (R$ 1.033 por m²) foi o principal responsável pela elevação do índice no Estado, com alta de 11,2%. Já os materiais de construção (R$ 809 por m²) registraram avanço de 4,9%.
Apenas em fevereiro, o índice apresentou variação mensal positiva de 0,49% em Minas, mantendo a tendência de alta observada em 2026. O resultado ficou acima do registrado no País, que teve acréscimo de 0,23% no período. Apesar disso, o custo no Estado ainda permanece abaixo da média nacional, estimada em R$ 1.925 por m².
O gerente responsável pela pesquisa, Augusto Oliveira, destaca que a oscilação positiva entre janeiro e fevereiro de 2026 foi impactada especialmente pela mão de obra.“O resultado reflete os efeitos da reoneração da folha de pagamento das empresas do setor da construção civil, que elevou os custos com mão de obra no País”, pontua.
Dentre as regiões brasileiras, a Norte registrou a maior variação mensal em fevereiro, de 0,52%. Nas demais localidades, as oscilações foram mais moderadas: 0,22% no Nordeste, 0,22% no Sudeste, 0,15% no Sul e 0,10% no Centro-Oeste.
Aumento do custo salarial e inflação pressionam construção
A alta no custo da mão de obra, segundo a economista do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Ieda Vasconcelos, está atrelada ao aumento do custo salarial decorrente das convenções coletivas de trabalho. Em Minas Gerais, a elevação foi mais acentuada em janeiro, período de reajuste em função da data-base da convenção coletiva.
“Além disso, com a taxa de desemprego no menor patamar da série histórica, levando ao baixo número de pessoas desocupadas, aumenta-se o custo da mão de obra”, acrescenta.
No que tange ao custo do material, a economista pontua que o segmento vem de aproxidamente três anos de fortes elevações no custo, em função da desestrututação das cadeias produtivas durante a pandemia. “O material continua aumentando sobre uma base já elevada e agora temos uma variação acompanhando o ritmo da inflação”, explica.
Na capital mineira, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até fevereiro é de 3,81%, enquanto o custo da construção no Estado supera 7%. Esses custos elevados, segundo Ieda Vasconcelos, se mantêm há meses, permanecendo acima da inflação oficial e pressionando o mercado imobiliário local.
Plano Diretor e conflitos no Oriente Médio moldam perspectivas do setor
Além disso, a dificuldade de novas construções, agravada pelas limitações do Plano Diretor de Belo Horizonte, tende a pressionar ainda mais os preços dos imóveis, criando um cenário desafiador para o setor da construção civil em Minas Gerais. Com o plano defasado, a capital mineira apresenta um número reduzido de unidades disponíveis o que provoca uma oferta limitada de imóveis.
“Diante desse cenário e considerando a continuidade dos aumentos de custos, os preços dos imóveis podem ser pressionados, refletindo diretamente a dinâmica de oferta e demanda”, argumenta a economista.
Apesar dos entraves, a expectativa segue otimista, especialmente em função da revisão do Plano Diretor, que pode trazer alívio para a cidade, viabilizando novos projetos e impulsionando a economia local.
A entidade também espera uma redução na taxa de juros nos próximos meses, ampliando incentivos para o setor. Ainda assim, as expectativas são cautelosas diante do atual contexto internacional, marcado por conflitos entre Estados Unidos, Irã e Israel, que impacta o preço de insumos como o petróleo e podem limitar eventuais cortes nos juros.
“De qualquer forma, queremos acreditar que não. Esperamos que o processo de redução aconteça, beneficiando todos os setores produtivos da economia, que acabam adiando ou postergando investimentos”, finaliza Ieda Vasconcelos.
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