Novas medidas do governo tendem a frear a importação de aço
Em resposta às demandas da siderurgia por maior proteção frente à concorrência externa, o governo federal anunciou, nesta semana, novas medidas de defesa comercial que tendem a frear o ritmo da importação de aço, aliviando a pressão sobre o setor, embora ainda sejam esperadas outras ações defensivas capazes de resolver a situação de forma definitiva.
Na quarta-feira (28), o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou a aplicação de direito antidumping definitivo, por até cinco anos, sobre as importações de aços pré-pintados da China e da Índia. Autorizou ainda o aumento das tarifas de importação, para 25%, por 12 meses, de nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) de produtos de aço, mas sem o estabelecimento de cotas.
Sobre o antidumping, o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, afirma que a medida visa combater a entrada de produtos vendidos a preços artificiais ou abaixo do valor de mercado, protegendo produtores nacionais de práticas consideradas desleais.
Bancos de investimentos apontam que, entre as empresas, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) é a que está mais exposta aos aços pré-pintados – que representam cerca de 10% de suas vendas – e deve ter a margem operacional protegida contra preços predatórios. Além disso, indicam que a decisão aumenta a probabilidade de aplicação de novos antidumpings no primeiro trimestre, focados em laminados a frio e galvanizados.
Quanto à elevação tarifária, a medida engloba laminados a quente, revestidos, trefilados, chapas, bobinas inoxidáveis e silicosas e fio-máquinas. E deve beneficiar ArcelorMittal, Gerdau, Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) e CSN, sendo que as três últimas e, sobretudo, a companhia de Benjamin Steinbruch, tendem a recuperar rentabilidade com a menor pressão do aço estrangeiro, conforme análises de algumas instituições.
Galdi avalia que as novas tarifas aumentam a proteção à produção interna, especialmente em segmentos em que houve crescimento expressivo de importações nos últimos meses. Entretanto, o analista da AGF pondera: “Essas medidas já eram pleiteadas há muito tempo pelo setor, mas entendo que seria necessário expandi-las para todos os tipos de aço, preservando o parque brasileiro, que caminha para o sucateamento”.
Nesse contexto, cabe citar que, segundo nota técnica da Camex, entre novembro de 2024 e outubro de 2025, as importações das nove NCMs atingiram aproximadamente 572 mil toneladas. Já o volume total de aço importado pelo País no ano passado alcançou 6,4 milhões de toneladas, de acordo com dados do Instituto Aço Brasil.
Aço Brasil avalia decisão como positiva, mas faz ressalvas
Em nota, o Aço Brasil não comentou sobre o antidumping em aços pré-pintados, porém avaliou o aumento tarifário das nove NCMs como positivo e disse que a medida representa um passo a mais no sistema de defesa comercial para conter a importação predatória de aço.
A entidade também reconheceu o esforço do governo federal para aprovação da medida, diante do reduzido número de posições disponíveis para enquadramento na Lista de Elevações Tarifárias por Razões de Desequilíbrios Comerciais (LDCC), além do anterior enquadramento de 16 NCMs no mecanismo de cota-tarifa, em vigor desde 2024.
O instituto, no entanto, ressaltou que o setor permanece atento e preocupado com a crescente guerra no mercado de aço no mundo, motivo pelo qual vários países já adotaram medidas de defesa comercial robustas e de mais amplo espectro de produtos de aço do que as implementadas no Brasil, gerando risco de aumento do fluxo de importações para o País.
“É importante que o governo siga monitorando o comportamento das importações de aço e avaliando as causas de aumentos anormais de entrada de produtos no País, para evitar que ocorram impactos irreversíveis sobre o parque produtor aqui instalado e consequências negativas em toda a cadeia de produção”, reiterou.
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