Descoberta da Petrobras no Amapá é relevante, mas tem pouco impacto imediato, dizem especialistas
Pelotas – A descoberta da Petrobras da presença de hidrocarbonetos na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá, é relevante, mas tem efeitos práticos limitados no curto prazo, dizem especialistas.
Embora a confirmação ainda dependa de testes, integrantes da estatal dizem que a probabilidade de que se trate de petróleo é alta.
Quando houver essa delimitação, será possível dimensionar também o impacto para o mercado de petróleo e para a própria Petrobras. No entanto, mesmo sem essa definição ainda, os especialistas afirmam que a notícia é boa para a empresa, especialmente para suas reservas.
O presidente do Insituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardhengy, afirma que o anúncio é relevante principalmente porque confirma a teoria geológica da região. “Essa é a grande notícia”, diz ele, exemplificando que, a cada dez perfurações realizadas, oito são secas ou não tem viabilidade comercial.
“A descoberta também reforça que a Petrobras tem muito conhecimento técnico e capacidade operacional em águas ultraprofundas”, acrescenta Ardhengy.
Em nota, o IBP, que representa grandes petroleiras com atuação no Brasil, como a própria Petrobras, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e Equinor, disse que a descoberta “confirma que o Brasil possui perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, reforçando a segurança energética nacional no médio e longo prazo”.
“O mercado esperava isso há muitos anos, e a descoberta reduz o risco de toda a margem equatorial”, afirma o sócio da Valor Investimentos, Gustavo Trotta. A notícia é muito positiva para a reposição de reservas da empresa, destaca Trotta, principalmente se for considerado o pico de produção do pré-sal, previsto para a década de 2030.
Apesar do efeito limitado no curto prazo, a maior previsibilidade e o potencial impacto da descoberta na recomposição das reservas da estatal podem influenciar o humor dos investidores, acrescentou. Se considerados os gastos de caixa com a perfuração, também pode haver algum efeito no pagamento de dividendos aos acionistas, observa Trotta.
O ex-diretor geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn, reforça a importância da descoberta para a recomposição de reservas, e afirma que a descoberta dá mais segurança para a Petrobras continuar perfurando na região.
O economista Adriano Pires, que chegou a ser indicado à presidência da Petrobras, mas não assumiu o cargo, diz que ainda é cedo para falar sobre o impacto da descoberta. “Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante ou não. Mas é uma boa notícia que mostra a importância do Ibama agilizar as licenças ambientais”, afirmou.
“Para o investidor, eu classificaria a notícia como positiva para a tese de longo prazo da Petrobras, mas ainda prematura para justificar uma revisão significativa das estimativas de produção, lucro ou valuation”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
O próximo grande gatilho, acrescenta Praça, será justamente a divulgação dos dados sobre o tamanho e a viabilidade econômica do achado.
O poço Morpho, onde ocorreu a descoberta, está localizado a cerca de 175 km da costa do estado, em uma área com lâmina d’água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de 2.886 metros. A região é alvo de embates entre o governo e organizações ambientalistas.
A descoberta ocorreu no bloco FZA-M-59, na margem equatorial brasileira, onde a Petrobras é operadora e detém 100% de participação.
Reportagem distribuída pela Folhapress
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