Dólar fecha em baixa após ajustes e busca por ativos de risco

O dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 4,9630 na venda, em baixa de 0,38%. Em fevereiro, a moeda acumula ganho de 0,50%.

6 de fevereiro de 2024 às 18h50

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Crédito: Sertac Kayar/Reuters

São Paulo – O dólar à vista fechou a terça-feira em baixa ante o real, se distanciando um pouco dos R$ 5, em sintonia com o exterior, numa sessão marcada pela busca global por ativos de risco. O resultado se deu depois dos avanços mais recentes da divisa dos EUA, puxados por dados e declarações de autoridades indicando que o Federal Reserve deve começar a cortar juros apenas mais à frente.

O dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 4,9630 na venda, em baixa de 0,38%. Em fevereiro, a moeda acumula ganho de 0,50%.

Na B3, às 17:21 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,53%, a R$ 4,9705.

O dólar oscilou em baixa durante praticamente toda a sessão, influenciado principalmente pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries, que também pesava sobre as cotações da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.

Na máxima do dia, o dólar à vista marcou R$ 4,9820 (estável) às 11h30 e, na mínima, atingiu R$ 4,9514 (-0,61%) às 14h28.

Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que o dia foi de ajustes, com os investidores em busca de ativos de maior risco, após o pessimismo recente.

“Nos últimos dias, com a decisão (de política monetária) do Fed na semana passada, o dólar acabou se valorizando, com um sentimento pessimista nos mercados”, lembrou Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

“O (presidente do Fed, Jerome) Powell fez colocações no sentido de que o mercado não deveria ficar tão animado com cortes de juros no primeiro semestre, o que acabou jogando um balde de água fria nos investidores”, acrescentou.

Nesta terça-feira, o ambiente era de otimismo, com os investidores em busca de ativos de maior risco, como o real. Além de ajustes em relação aos movimentos mais recentes, as cotações refletiam, conforme Izac, declarações da presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester.

Para ela, se a economia dos Estados Unidos tiver o desempenho esperado, isso poderá abrir a porta a cortes na taxa básica de juros. Por outro lado, Mester disse que ainda não está pronta para oferecer qualquer cronograma para uma política monetária menos restritiva.

Neste ambiente, o dólar à vista se distanciou um pouco dos R$ 5 – cotação atingida durante a sessão de segunda-feira, no auge do pessimismo trazido pelas declarações de Powell.

“Nos últimos dias vimos um estresse que tomou conta dos mercados no Brasil. Acho que R$ 5 neste momento me parecem um exagero; trabalhar em torno de R$ 4,85 e R$ 4,90 faz mais sentido”, avaliou o economista-chefe na Way Investimentos, Alexandre Espirito Santo.

“Nosso mercado deu uma exagerada em janeiro e nos primeiros dias de fevereiro, mas hoje (terça-feira) vê que não é para tudo isso. Bolsa e dólar estão recompondo um pouco do excesso de pessimismo do início do ano”, acrescentou.

No fim da tarde, o dólar também seguia em baixa ante as divisas fortes e em relação à maioria das moedas de exportadores de commodities e emergentes.

Às 17:21 (de Brasília), o índice do dólar –que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas– caía 0,26%, a 104,190.

A influência do exterior acabou deixando em segundo plano a divulgação, no Brasil, da ata do último encontro de política monetária do Banco Central.

No documento, o Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou que o cenário doméstico tem evoluído como o esperado, com um progresso desinflacionário relevante, mas que a incerteza internacional prescreve cautela à política monetária. O BC frisou que ainda há um longo caminho a percorrer no retorno da inflação à meta.

O Copom também reiterou que a desancoragem das expectativas de inflação são um fator de preocupação, que requer atuação firme da autoridade monetária.

Pela manhã, o BC vendeu todos os 16 mil contratos de swap cambial tradicional ofertados para rolagem dos vencimentos de abril. (Fabricio de Castro)

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