Minas supera 532 mil novas empresas, mas alta nos fechamentos ameaça sobrevivência dos negócios
A abertura de empresas em Minas Gerais avançou em 2025 e ultrapassou 532 mil novos cadastros, uma alta de 21% em relação a 2024, puxada principalmente por micro e pequenos negócios. O desempenho positivo foi sustentado especialmente pelo setor de Serviços, com um saldo positivo de 146 mil empresas.
Entretanto, os fechamentos avançaram 29%, resultando em um crescimento modesto de 5% no saldo geral (215 mil). Os dados constam em levantamento realizado pelo Sebrae Minas a partir de informações da Receita Federal.
Além do setor de Serviços, o Comércio registrou saldo de 28,2 mil empresas, enquanto a Indústria completou o top 3 e encerrou o último ano em 20 mil empresas. Setores de relevância para a economia mineira como a Construção Civil e a Agropecuária registraram saldo 16,2 mil e 3,7 mil empresas respectivamente.
O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, comenta que o desempenho ao longo de 2025 ocorre em um contexto de avanços regulatórios, como a Lei de Liberdade Econômica, e de acomodação do ambiente empresarial, marcado pela redução dos encerramentos após anos de ajuste. “O saldo positivo reflete um cenário mais estável e seletivo, no qual as empresas mais adaptadas às condições econômicas atuais conseguem se manter ativas, mesmo em um momento de crescimento moderado”, ressalta.
Dentre os municípios, Belo Horizonte liderou com 98 mil novas formalizações, seguida por Uberlândia (30 mil), Contagem (22,9 mil), Juiz de Fora (16,6 mil) e Betim (13,9 mil). Dois municípios no entorno da Grande BH apresentaram destaque em abertura no último ano: Sete Lagoas (crescimento de 18,7% frente a 2024) e Ribeirão das Neves (avanço de 17,23%).
As cidades apresentaram evoluções consideráveis em atividades, como a Promoção de Vendas, com mais de 25 mil empresas abertas e o Transporte Rodoviário de Carga Municipal, exceto produtos perigosos e mudanças, com 19,4 mil aberturas, lideraram em formalizações em Minas Gerais. Em seguida, o Comércio Varejista de artigos, vestuário e acessórios, totalizou 17,6 mil novos CNPJs.
Outra atividade com números positivos no Estado está relacionada ao mercado da beleza. Segundo o levantamento, empresas compostas por serviços de cabeleireiros, manicures e pedicures fecharam o ano com 18 mil aberturas.
Em contraste, o comércio varejista de vestuário e acessórios lidera os fechamentos ao longo de todo o período, com 16.518 negócios encerrados em 2025. Atividades ligadas à alimentação, como lanchonetes, casas de chá, sucos e similares também encerraram em alerta, como 7.342 empresas fechadas.
Atividades em destaque podem estar relacionadas a estratégias de sobrevivência econômica
O economista e conselheiro de política econômica Stefan D’Amato, avalia que o saldo positivo de empresas em 2025 em Minas Gerais é um sinal relevante de dinamismo econômico, mas ainda não pode ser lido automaticamente como crescimento sustentável no campo estrutural. O desempenho no último ano, segundo ele, reflete um ambiente regulatório mais simples e um esforço de formalização bem-sucedido.
No entanto, o economista chama atenção para a elevada taxa de encerramento em setores intensivos em concorrência que operam com margens reduzidas. “Isso indica que boa parte desse movimento está associada a estratégias de sobrevivência econômica, autoemprego e respostas defensivas ao mercado de trabalho, mais do que a um ciclo robusto de expansão produtiva de longo prazo”, destaca.
Como exemplo, D’Amato cita a liderança da atividade de Promoção de Vendas, que reforça o argumento. “Trata-se de um setor fortemente ligado ao comércio, aos serviços e à economia urbana de curto prazo, muito sensível ao ciclo de renda e ao comportamento do consumo”, analisa.
O economista acrescenta que esse cenário reforça a ideia de uma economia mineira que cresce pela base dos serviços, com baixa exigência de capital e entrada rápida, mas também com maior rotatividade e menor capacidade de estimular negócios de maior valor agregado. “É uma estrutura que responde bem a estímulos de demanda, mas que ainda enfrenta limitações quando se observa inovação, produtividade e maior densidade industrial ou tecnológica”, explica.
‘Transbordamento’ da Grande BH direciona negócios a outras regiões
Os avanços municipais, especialmente de Sete Lagoas e Ribeirão das Neves, estariam atrelados mais intensamente a um processo de transbordamento da Região Metropolitana de Belo Horizonte do que para uma descentralização econômica. “A combinação entre custos mais baixos, acesso logístico e proximidade do principal mercado consumidor do Estado favorece esse movimento, sobretudo para pequenos negócios e atividades de serviços”, comenta D’Amato.
Para 2026, o economista ressalta que as oportunidades passam pela consolidação do ambiente empreendedor, com políticas de crédito, capacitação e redução do fechamento das empresas. “O grande desafio será transformar quantidade em qualidade: fortalecer negócios com maior produtividade, estimular setores com maior valor agregado e reduzir a vulnerabilidade desses empreendimentos a oscilações de renda, juros e consumo, especialmente em um cenário econômico que tende a permanecer desafiador”, finaliza.
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