Economia

Enchentes derrubam faturamento do varejo em até 43% na Zona da Mata mineira

Queda no faturamento de cidades como Juiz de Fora e Ubá foi muito mais acentuada que a média de Minas; recuperação deve ficar para o segundo semestre
Enchentes derrubam faturamento do varejo em até 43% na Zona da Mata mineira
Desastre natural que atingiu a Zona da Mata causou prejuízos para o setor produtivo em Juiz de Fora. | Foto: Pilar Olivares/ Reuters

As enchentes que atingiram cidades da Zona da Mata mineira, como Juiz de Fora e Ubá, no fim de fevereiro último provocaram uma forte retração no comércio local, segundo levantamento do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). Nos municípios afetados, o impacto sobre o faturamento do varejo foi significativamente mais intenso do que o observado no Estado e no País.

De acordo com os dados da Cielo, enquanto o varejo brasileiro registrou queda nominal de 3,4% no período analisado, Minas Gerais teve retração de 7,4%. Já nas cidades diretamente impactadas pelas enchentes, o recuo foi muito mais acentuado: Juiz de Fora apresentou queda de 22,8%; Ubá, de 37,3%; e Matias Barbosa, de 43,4% no faturamento do varejo, em comparação com o mesmo período de 2025.

A análise considera as vendas realizadas entre 23 de fevereiro e 1º de março de 2026, intervalo marcado pelo agravamento das enchentes, comparado ao ínterim equivalente do ano anterior. O levantamento é baseado em transações realizadas na rede Cielo e permite acompanhar com precisão o comportamento do consumo no comércio local.

Setores ligados a itens não essenciais foram os mais afetados

Os dados também mostram uma mudança clara no perfil de consumo durante o período crítico das enchentes. Setores ligados a itens não essenciais, como vestuário, foram os mais afetados, enquanto segmentos associados a necessidades básicas, como alimentação, tiveram retração menor.

O segmento de roupas registrou a maior queda (61,8%), o que reflete a forte redução nas aquisições consideradas adiáveis. Já setores ligados ao consumo indispensável apresentaram impacto relativamente menor, como supermercados (11,6%) e drogarias (15,7%). Outros setores também apresentaram quedas expressivas:

  • Alimentação: 25,6%;
  • Varejo alimentício especializado: 27,2%;
  • Outros segmentos do comércio: 33,3%.

Os números, segundo a Cielo, evidenciam o “efeito amplo do evento climático” sobre a atividade econômica local.

Retomada deve acontecer apenas no segundo semestre, diz Acejf

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora (Acejf), Aloísio Vasconcelos, acredita que a plena retomada do comércio, muito impactado após o cenário de destruição na cidade, deve acontecer apenas no segundo semestre. “A situação ainda está muito complicada. Estamos fazendo uma campanha, unindo diversas entidades locais com a prefeitura, para incentivar as pessoas a comprarem no comércio local”, destaca. Diversos entes, inclusive, criaram e mantém a campanha Valoriza JF, com essa finalidade.

Ainda de acordo com o dirigente, a Acejf tem estreitado contato com algumas associações do Rio Grande do Sul, estado que passou por uma tragédia similar à de Juiz de Fora em 2024. “Estamos, inclusive, nos espelhando em algumas medidas tomadas por eles, como a renegociação de dívidas das empresas junto ao Estado, pois o impacto foi muito grande. Várias lojas ficaram vários dias sem abrir, em função de uma série de fatores, não só por causa da enchente, mas também pela ausência de funcionários, que não puderam trabalhar”, conclui.

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