Endividamento em BH chega a 89% em janeiro
O nível de endividamento das famílias de Belo Horizonte subiu 1,4 ponto percentual em janeiro, alcançando a marca de 89%, de acordo com levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), com dados compilados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Na comparação com igual intervalo do ano passado, o indicador ficou estável.
A maior parte dos entrevistados (39%) alega estar pouco endividada, seguida por 32,8% que dizem estar “mais ou menos” endividados; e 17,2% que estão devendo muito. O cartão de crédito é o principal tipo de dívida, mencionado por 96,3% das pessoas consultadas, mas, entre os que ganham dez ou mais salários mínimos, os números são ainda maiores, chegando 99,2%
Também se destacam o atraso em carnês (30,6%), sendo que para os que ganham até dez salários mínimos o percentual chega a 31,5%; e o financiamento de veículos (13,6%), que aparece como terceira principal modalidade de dívida, sendo a segunda entre os que ganham dez ou mais salários mínimos, com 24,9%.
O levantamento aponta que as dívidas estão atrasadas, em média, há 63 dias. O número de pessoas que afirmaram estarem com débitos em aberto acima de 90 dias foi de 48%. Outros 26,8% dos devedores belo-horizontinos estão com atrasos entre 30 e 90 dias.
Inadimplência tem recuo de 0,1 ponto percentual
Já o índice de inadimplência teve ligeiro recuo de 0,1 ponto percentual, chegando a 64,7%. Essa é a primeira queda após o número de famílias com contas em atraso atingir o pico, em dezembro de 2025.
A economista da Fecomércio-MG, Gabriela Martins, afirma que as contas em atraso e o aumento no comprometimento de uma parcela considerável dos rendimentos mensais vêm causando apreensão.
“O que tem nos preocupado é o alto nível de famílias com contas em atraso e o aumento, mês após mês, das famílias que não terão condições de pagar suas contas em atraso. Quando observamos que quase metade dessas dívidas já ultrapassa 90 dias e que mais de um quarto das famílias compromete acima de 50% da renda mensal com obrigações financeiras, percebemos um quadro de forte restrição orçamentária, especialmente entre as famílias de menor renda. Esse contexto tende a limitar o consumo nos próximos meses, pressionar o comércio e exigir maior planejamento financeiro por parte dos consumidores, principalmente em um cenário de encarecimento do custo do crédito”, explica Martins.
Os dados apontam que, entre as pessoas que possuem dívidas, 26,9% responderam que as contas em aberto representam mais de 50% dos ganhos mensais. Se considerar aqueles que afirmaram que as dívidas comprometem mais de 10% do orçamento familiar, o número chega a 86,7%.
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