Economia

Com 8 GW em operação, Minas Gerais consolida liderança nacional em energia solar

Estado é líder absoluto no segmento, com três vezes mais usinas em operação que o segundo colocado (Bahia 2.4GW)
Com 8 GW em operação, Minas Gerais consolida liderança nacional em energia solar
Minas Gerais possui uma ampla extensão de terras favoráveis para a implantação de grandes usinas fotovoltaicas | Foto: Divulgação Atlas Renewable Energy

Com o avanço da atuação de grandes usinas, a geração centralizada de energia solar em Minas Gerais ultrapassou 8 gigawatts (GW) em operação em 2025. A categoria corresponde por 65% dos R$ 26,3 bilhões em investimentos realizados em 15 anos, de acordo com o mapeamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Os resultados consolidam o Estado como líder absoluto no País no segmento, com três vezes mais usinas em operação que o segundo colocado (Bahia, com 2,4 GW). O levantamento também indica que a liderança deve persistir ao longo dos anos, já que Minas acumula 31 GW em projetos ainda não iniciados.

O coordenador regional da Absolar, Bruno Catta Preta, destaca que Minas Gerais é a ‘locomotiva’ do Brasil no segmento. O fator, segundo ele, está atrelado à presença de um tripé de oportunidades, que inclui uma legislação favorável à implantação de grandes usinas, além da ampla presença de terras disponíveis e índice solarimétrico favorável, especialmente na região Norte do Estado.

No entanto, a concretização das obras de construções ainda não iniciadas seguem incertas. Fatores como incertezas regulatórias e o atual cenário econômico, marcado por uma elevada taxa de juros, tendem a reduzir o ritmo de investimentos.

Atual infraestrutura de transmissão e distribuição limita absorção de novos investimentos

Somado a isso, o dirigente ressalta que a atual infraestrutura de transmissão e distribuição limita a absorção de novos investimentos, especialmente de grande porte. “É provável que muitas companhias estejam aguardando um momento mais favorável para tomar a decisões de investimento”, acrescenta.

De acordo com estudos da associação, o País deve registrar queda de aproximadamente 7% no volume de investimentos em novos projetos de energia solar em 2026 frente a 2025. Nas grandes usinas solares, o recuo está ligado aos prejuízos financeiros impostos aos geradores, resultado da falta de ressarcimento pelos recorrentes cortes de geração sofridos.

“Falta uma política de Estado, e não de governo. O Brasil tem tudo para ser referência em renováveis, mas ainda toma decisões isoladas e sem um incentivo claro para a energia solar, que já responde por 24,1% da matriz elétrica do País”, reforça Catta Preta.

Apesar dos desafios, Brasil seguirá entre os maiores mercados solares do mundo

Esse contexto, entretanto, é encarado como previsível para o segmento, já que a energia solar entra em 2026 consolidada como uma das principais forças da matriz elétrica brasileira, deixando de ser tendência para se tornar estrutura.

“Mesmo com uma leve desaceleração no ritmo de crescimento, o Brasil seguirá entre os maiores mercados solares do mundo, ultrapassando 75 GW de capacidade instalada. O que vemos em 2026 não é retração da energia solar, mas uma fase de maturidade do mercado”, pontua o dirigente.

Desde 2012, a entidade destaca que o segmento fomentou mais de R$ 87,7 bilhões em novos investimentos e mais de 601 mil empregos verdes acumulados no País. Além disso, a energia proporcionou cerca de R$ 29 bilhões em arrecadação aos cofres públicos em 15 anos.

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