Economia

Preço do etanol fecha 2025 com aumento de 9,79% em Minas Gerais

Custo biocombustível avançou 9,79% nas bombas, saltando de R$ 4,19 para R$ 4,60; Alta pode ser explicada pela restrição de oferta
Preço do etanol fecha 2025 com aumento de 9,79% em Minas Gerais
Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Charles Silva Duarte

O mercado de combustíveis em Minas Gerais encerrou 2025 marcado por altas significativas nos preços, com destaque para o etanol. Nos últimos 12 meses, o valor do biocombustível disparou 9,79% nas bombas, saltando de R$ 4,19 para R$ 4,60, pressionando o orçamento dos consumidores e reduzindo a competitividade frente à gasolina.

No mesmo período, gasolina comum (+2,14%) e aditivada (+1,90%) apresentaram leve variação positiva, encerrando o ano na casa dos R$ 6,20 e R$ 6,42, respectivamente. Já o setor de transportes registrou um alívio no orçamento. O diesel S10 não variou (0,00%) e o diesel comum apresentou uma ligeira queda de 0,17% no último ano. Os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).

O economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Carlos da Silva, avalia que o caminho distinto percorrido por ambos os combustíveis era esperado, já que ambos respondem a lógicas econômicas diferentes. O avanço expressivo do etanol, segundo ele, pode ser explicado pela restrição de oferta em razão da menor safra de cana-de-açúcar em decorrência de efeitos climáticos adversos e das queimadas observadas ainda em 2024.

“Isso comprometeu a produtividade dos canaviais. Com menos cana disponível, há menor oferta de etanol no mercado, o que acaba pressionando os preços para cima”, afirma.

Além disso, Silva explica que o setor sucroenergético enfrenta um dilema clássico quando há restrição de oferta: a escolha entre o mercado do açúcar e do etanol. Ao longo do ano, o preço internacional do açúcar permaneceu valorizado, tornando mais rentável direcionar a produção para o açúcar ao invés do etanol. O desvio apontado pelo economista pode ter afetado ainda mais a disponibilidade de etanol e elevando ainda mais os preços.

Quanto aos combustíveis derivados de petróleo, como a gasolina e o diesel, o caminho foi distinto com forte impacto da valorização do real frente ao dólar ao longo de todo o ano. Como complemento, houve queda nas cotações internacionais de petróleo, aliviando os preços para o mercado doméstico.

“Esse conjunto de fatores ajudou a conter os reajustes mais expressivos na gasolina e, sobretudo, no diesel. O impacto dessa dinâmica no bolso do mineiro é significativo”, salienta o economista.

A estabilidade do diesel, segundo ele, foi fundamental para evitar que uma inflação mais elevada no último ano. Conhecido como “combustível da logística”, o insumo é essencial e representa um peso significativo para o transporte de cargas, ônibus e fretes agrícolas.

“Com aumentos expressivos no diesel, o repasse para alimentos, para bens industriais e serviços teria sido muito mais intenso. O fato de o diesel ter permanecido estável funcionou como um amortecedor inflacionário em 2025 e aqui em Minas Gerais, especialmente”, detalha Silva.

Alta acumulada do etanol em 2025 corroeu parte do poder de compra da população

Por se tratar de um item essencial para a economia, o combustível possui cada vez mais um peso significativo no orçamento das famílias. Segundo o economista, o impacto pode ocorrer de forma direta, por meio do abastecimento do carro, da moto, ou indiretamente via transporte público, transporte de mercadorias, além do frete.

Com o resultado de 2025, Silva ressalta que a alta acumulada do etanol corroeu parte do poder de compra da população, especialmente para quem depende do veículo para trabalhar ou para se deslocar. “Podemos dizer, em alguma medida, que os combustíveis foram um dos vilões da inflação em Minas Gerais, mas esse vilão não atuou sozinho”, afirma.

O último ano foi marcado por uma inflação mais elevada em Minas Gerais, puxada por serviços e alimentação fora do domicílio, além de outros preços administrados, que também contribuíram para manter a inflação resiliente no Estado. “Ainda assim, sem dúvida, os combustíveis ajudaram a tirar um pouco de fôlego do orçamento das famílias”, completa.

A expectativa para 2026 é de normalização no mercado de etanol, com uma safra melhor que pode aliviar os preços. Entretanto, isso ainda depende do clima e do comportamento do mercado internacional de açúcar.

“A projeção é de reajustes mais moderados no etanol. Por outro lado, as pressões geopolíticas internacionais seguem como um fator de risco, com potencial de impactar o preço do barril de petróleo”, conclui.

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