Expansão da matriz elétrica em Minas perde fôlego e recua 12,5% em 2026
O ritmo de crescimento da geração de energia em Minas Gerais deve seguir em fase de maior cautela em 2026. O setor prevê incorporar 1,05 gigawatts (GW) à capacidade instalada no Estado, um recuo de 12,5% frente aos 1,2 GW consolidados no ano passado. Todo o volume previsto para este ano vem de projetos de geração solar.
O movimento consolida uma tendência de arrefecimento iniciada em 2025, cuja expansão foi aproximadamente 60% menor frente a 2023 e 2024. Os dados constam no acompanhamento de expansão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com análise da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
A desaceleração, segundo o consultor de mercado de energia da Fiemg, Sérgio Pataca, pode ser explicada pela ausência de novos empreendimentos de leilões de energia renovável Minas Gerais. Segundo ele, mais de um terço da geração estimada pela Aneel no País em 2026 é derivada do Leilão de Energia Nova A-5 de 2021, que possui início de operação previsto a partir deste ano.
“Na época, Minas Gerais não foi contemplada com nenhum empreendimento nesse certame. A expansão prevista é toda fora de leilões e concentrada em projetos de geração solar fotovoltaica”, acrescenta o consultor.
Ainda assim, o Estado segue consolidado entre os principais polos de expansão da geração de energia no País. Em 2025, os destaques nacionais foram Rio de Janeiro, com acréscimo de 1.681 megawatts (MW), seguido por Bahia (1.371 MW) e Minas Gerais (1.294 MW).
“Vamos continuar sendo um dos protagonistas. Mesmo sem projetos oriundos de leilões, Minas Gerais deve responder por pelo menos um décimo da expansão nacional da geração de energia”, ressalta Pataca.
Principal gargalo é diversificação da energia de base
O principal gargalo segue concentrado na diversificação da energia de base, que, segundo o consultor, precisa avançar com fontes renováveis, como a hidrelétrica. Nos próximos cinco anos, o setor prevê apenas uma hidrelétrica concretizada, enquanto cerca de um terço da expansão projetada ainda é de fonte fóssil.
“Estamos diversificando a matriz, mas essa diversificação tem ocorrido majoritariamente para fontes fósseis, o que significa lançar cada vez mais gás carbônico na atmosfera”, alerta o consultor.
A solução, segundo ele, passa por um novo olhar político e regulatório para a energia de base no País, seja a partir de hidrelétricas com reservatórios ou usinas reversíveis. “Hoje, há uma dualidade difícil de justificar: enquanto o discurso oficial aponta para a transição energética, quase 80% das termelétricas foram viabilizadas por leilões governamentais, ou seja, autorizadas pelo próprio poder público. Esse direcionamento precisa ser revisto”, avalia Pataca.
No cenário nacional, impulsionado pelos leilões, a Aneel projeta a incorporação de 9,1 GW à potência instalada do Brasil em 2026. O volume representa um avanço de 23,4% em relação ao resultado de 2025, quando 7,4 GW foram adicionados ao sistema elétrico.
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