Economia

Exportações de MG crescem 5,9% no 1º bimestre em meio a cenário de volatilidade internacional

O resultado reforça a relevância do Estado no comércio internacional, com foco em mineirais e café
Atualizado em 6 de março de 2026 • 17:26
Exportações de MG crescem 5,9% no 1º bimestre em meio a cenário de volatilidade internacional
Foto: Reprodução Adobe Stock

A balança comercial de Minas Gerais acumula saldo positivo de R$ 3,7 bilhões nos dois primeiros meses de 2026. Foram US$ 6,6 bilhões em exportações, alta de 5,9% sobre o mesmo período do ano anterior, e US$ 2,9 bilhões em importações, recuo de 0,9% no mesmo período. O desempenho coloca o Estado como terceiro maior exportador e quarto maior importador do Brasil neste início de ano.

O pesquisador da Fundação João Pinheiro (FJP) Lucio Barbosa destaca que este é o melhor resultado na balança comercial para o período desde 2024 (US$ 3,9 bilhões). Para ele, o fato de Minas superar o desempenho apresentado no início do ano passado (US$ 3,4 bilhões) representa uma possibilidade de fechar 2026 com um novo recorde. Vale lembrar que o saldo total no ano de 2025 foi o melhor desde 2011.

“Nós tivemos um resultado muito expressivo em 2025 e quando comparamos os resultados do primeiro bimestre deste ano com o do ano passado, 2026 está ainda melhor. Isso sugere que podemos ter um ano com resultado mais forte do que já tivemos quanto ao saldo da balança comercial”, avalia.

Projeção de crescimento para 2026

Um dos fatores que podem sustentar esse otimismo para 2026, segundo o especialista, é a projeção de safra do café, que está melhor que a do ano anterior. Além disso, o preço do minério de ferro apresenta tendência de estabilidade, sem grandes mudanças no mercado internacional.

“Esses dois fatores somados poderão resultar em uma melhora nas exportações de Minas. Por outro lado, deveremos ter uma queda nas importações, decorrente da desaceleração da economia brasileira”, acrescenta.

Porém, Barbosa pondera que devido ao cenário de instabilidade e turbulência, os resultados podem mudar a qualquer momento, tornando difícil a realização de qualquer previsão.

Entre os países parceiros, a China segue como o principal destino das exportações mineiras, com US$ 2 bilhões, o equivalente a 30,8% do total comercializado. Em seguida aparecem os Estados Unidos, com US$ 618,8 milhões e 9,3% de participação. Outros destaques foram: Alemanha (US$ 311,2 milhões), Suíça (US$ 284,4 milhões), Argentina (US$ 261 milhões) e Canadá (US$ 251,6 milhões). Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic),

Os setores minero-metalúrgico e de agronegócio permanecem como os mais representativos na pauta exportadora de Minas Gerais no primeiro bimestre. Os minérios de ferro lideram os embarques, com US$ 1,8 bilhão, seguidos pelo café, com US$ 1,6 bilhão. As exportações de ouro, com US$ 707,5 milhões, também foram destaque.

Farmacêuticos, máquinas e fertilizantes lideram as importações

No caso das importações, as duas primeiras posições seguem inalteradas, com a China liderando o ranking com US$ 643,6 milhões e 22,1% de participação, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 509,1 milhões e 17,5% do total registrado. Em seguida aparecem Argentina (US$ 233,8 milhões), Alemanha (US$ 162,4 milhões), Itália (US$ 129,7 milhões) e Índia (US$ 115,9 milhões).

Os itens de maior destaque foram os medicamentos e produtos farmacêuticos, com valor total de US$ 204,2 milhões. Logo em seguida aparecem os motores e máquinas não elétricas (US$ 188,1 milhões) e os adubos ou fertilizantes químicos (US$ 124,5 milhões).

Desempenho de Minas em fevereiro

Porto de Santos importações e exportações.
Foto: Divulgação Porto de Santos

Minas fechou o mês de fevereiro com uma corrente de comércio de US$ 4,7 bilhões e um superávit de US$ 1,9 bilhão na balança comercial. As exportações no período apresentaram alta de 7,8% no valor frente ao mesmo mês de 2025, fechando com US$ 3,3 bilhões. O resultado consolidou o Estado como o segundo maior exportador do País no mês passado, com 12,6% de participação, atrás apenas de São Paulo, com US$ 4,6 bilhões. Já o volume embarcado apresentou queda de 5,2% no período analisado.

Quanto às importações, Minas ocupa a quarta posição nacional, com US$ 1,4 bilhão, o que representa um avanço de 1,1% frente ao registrado em fevereiro do ano passado. O mercado mineiro responde por 6,4% do total importado no Brasil ao longo do último mês (US$ 22,1 bilhões).

Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o resultado reforça a relevância do Estado no comércio internacional, mesmo em um cenário global marcado pela volatilidade.

“Minas Gerais mantém uma presença relevante no comércio exterior brasileiro, com uma pauta exportadora diversificada e forte demanda internacional por produtos estratégicos do Estado, como minério, café e metais. Ao mesmo tempo, as importações refletem a necessidade de insumos e equipamentos importantes para a atividade industrial”, afirma Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG, lembrando que a entidade defende a ampliação e diversificação de mercados seguem como estratégia fundamental para fortalecer a competitividade das empresas mineiras no cenário internacional.

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