Economia

Em ano de tarifaço, exportações de Minas Gerais para os EUA caem 7,7%

Maior queda em valor absoluto foi de itens do setor aeronáutico, segundo a Fiemg
Em ano de tarifaço, exportações de Minas Gerais para os EUA caem 7,7%
Foto: Divulgação Claudio Neves

A receita das exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos (EUA) em 2025 diminuiu 7,7% na comparação com 2024, para US$ 4,3 bilhões. A queda no valor dos embarques ocorreu em um ano marcado pelo tarifaço do governo norte-americano contra o Brasil. O recuo no montante exportado pelo País foi um pouco menor, de 6,6%.

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic). Cabe destacar que os EUA são o segundo principal destino dos produtos mineiros e brasileiros, atrás somente da China.

Conforme levantamento do analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Felipe Ramon, entre os produtos enviados pelo Estado para o mercado norte-americano, a maior queda em valor absoluto foi de itens do setor aeronáutico. O recuo foi de US$ 143 milhões (-99%, em termos percentuais).

Ele explica que o segmento como um todo, no Brasil, sofreu com as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. No entanto, pondera que suas exportações costumam ser mais esporádicas e variáveis, sendo difícil cravar quais foram as razões para o resultado negativo.

Por outro lado, o especialista afirma que a redução da receita de alguns produtos certamente está relacionada ao tarifaço. Por exemplo, a de produtos de aço, segundo lugar da lista, com retração de US$ 96 milhões (-44%), a de celulose, quarta colocada (-US$ 66 milhões/-58%), a de açúcares, que ocupou a sétima posição (-US$ 44 milhões/-78%), e a de máquinas em geral, que ficou em oitavo no ranking (–US$ 27 milhões/-19%).

“É também o caso das rochas ornamentais [10ª colocada, com -US$ 12 milhões e -26%]. Eu me lembro que o granito foi muito afetado e a gente exportava bastante. E com certeza a carne bovina [9ª/-US$ 19 milhões /-13%] e os produtos de madeira [12ª/-US$ 4 milhões/-69%]”, pontua, ressaltando que a redução do valor exportado de outros itens, como o zinco, que ocupou a terceira posição, com queda de US$ 68 milhões (-96%), teve motivações diferentes, sem relação direta com a medida dos EUA.

Embarques de café sobem 3,4%, apesar das tarifas

O produto mais vendido por Minas Gerais para os Estados Unidos em 2025 foi o café. Mesmo sobretaxada pelo governo norte-americano, a receita com as exportações da mercadoria chegou a quase US$ 1,6 bilhão, com alta interanual de 3,4%.

Vale lembrar que, em novembro, a commodity agrícola produzida no Brasil e enviada para os EUA deixou de pagar tanto a alíquota adicional de 40%, aplicada em agosto pelo presidente Donald Trump, quanto a taxa de 10%, imposta em abril, no âmbito das tarifas recíprocas, aos parceiros comerciais. Outros itens, como carne bovina, laranja e cacau, também foram excluídos da lista de taxações.

Em contrapartida, diversos produtos ainda permanecem sobretaxados pelos Estados Unidos. Um exemplo é o aço brasileiro, que segue pagando uma tarifa de 50% para ser exportado.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas