Minas Gerais registra US$ 135 milhões em exportações de rochas naturais em 2025
Com a crescente demanda global, as exportações de rochas naturais totalizaram US$ 135 milhões (R$ 723,6 milhões) em faturamento em Minas Gerais no último ano. O resultado representa um avanço de 12% frente a 2024, impulsionado principalmente pela ardósia e granito, que protagonizaram o número de envios.
Em 2025, o Estado respondeu por 9,1% das vendas externas nacionais, ocupando a segunda posição entre os três maiores exportadores do País, atrás de Espírito Santo (78,5%) e à frente do Ceará (7,4%). Os dados são da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas).
Dentre os países, a China se consolidou como a principal parceira estratégica de Minas Gerais no último ano, somando US$ 56,3 milhões em rochas naturais comercializadas, alta de 15,2% em relação a 2024. Na sequência, o Reino Unido atingiu US$ 24,6 milhões, um crescimento de 33,6%, impulsionado pela demanda por aplicações em construção e reformas, especialmente em ardósia para o uso em telhados.
A matéria-prima é um dos pilares da economia de cidades como Papagaios, na região Central do Estado. Atualmente, a produção de ardósia é o carro-chefe do município, responsável por movimentar a cadeia local, gerar empregos e sustentar pequenos negócios que orbitam o setor.
De acordo com o superintendente da Centrorochas, Giovanni Francischetto, o mercado de rochas naturais registrou, em 2025, o melhor ano da história, mesmo com as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Principal destino das exportações do setor no Brasil , os norte-americanos são responsáveis por grande parte das compras externas, com participação próxima de 90% especificamente nas pedras beneficiadas, que geralmente possuem maior valor agregado.

Ele acrescenta que o montante bilionário registrado por Minas Gerais é ainda mais expressivo ao acrescentar materiais locais transformados em outros estados, além do comércio no mercado interno. “Minas Gerais hoje é o segundo maior exportador de rochas naturais do Brasil e a ardósia é o principal produto da pauta mineira, respondendo por 37% de tudo o que o Estado exporta no setor”, analisa.
Segundo a associação, os envios da matéria-prima cresceram 21% em 2025 na comparação com 2024. “Esse resultado é fruto de um trabalho contínuo de valorização da ardósia mineira, que vem ganhando reconhecimento e boa aceitação, especialmente na Europa”, ressalta Francischetto.
Depois da ardósia, o granito aparece como o segundo principal item da pauta mineira, com 35% de participação e avanço de 26% em 2025. A entidade avalia que o resultado pode ter sido influenciado pelo “tarifaço”, que proporcionou mudanças no ambiente comercial, beneficiando o Brasil.
Na sequência, o quartzito respondeu por US$ 14 milhões em exportações. O Brasil é apontado como o principal produtor global do material, com destaque para variedades multicoloridas e ampla aplicação em revestimentos de alto padrão.
Complexidade da legislação e infraestrutura portuária estão entre principais gargalos
Apesar dos bons resultados, o setor convive com uma concorrência crescente da indústria de cerâmica, além de outros desafios que impedem maiores avanços. Atualmente, a legislação mineral e ambiental é avaliada como complexa e, por isso, há dificuldade de obter licenças para minerar no País, o que aumenta custos, posterga expansão e limita a entrada de novas operações
“Demora, em média, oito anos e meio uma para empresa retirar licença definitiva para começar a operar em rocha natural”, explica Francischetto.
Além disso, o setor convive com problemas de infraestrutura e logística e trabalha para se adequar à crescente demanda e à modernização do transporte. Além de gargalos nas rodovias, o sistema portuário no Espírito Santo ainda é considerado limitado para determinados envios.
“Tudo o que sai daqui para fora precisa ir por cabotagem: a carga embarca em navios menores, segue para o Rio de Janeiro ou para São Paulo e só aí é transferida para navios de longo curso, porque o porto de Vitória não comporta essa operação”, pontua o dirigente.
Para 2026, o setor mantém o otimismo e espera atingir US$ 3 bilhões em exportações nacionais até 2030. No ano passado, o setor brasileiro de rochas naturais encerrou com o melhor desempenho de sua história, alcançando US$ 1,48 bilhão em exportações, crescimento de 17,5% em faturamento em relação a 2024.
“A indústria é muito moderna, não perdemos para nenhum país. O Brasil tem a maior variedade de produtos do mundo, com cerca de 1.200 tipos de materiais. E queremos chamar a atenção das autoridades para avançar na regulamentação e dobrar o movimento que já temos”, finaliza Francischetto.
Ouça a rádio de Minas