Faturamento da indústria mineira perde fôlego, mas cresce 2,6% em virtude de demanda sazonal
O faturamento da indústria avançou 2,6% em Minas Gerais em novembro de 2025 na comparação com o mesmo período de 2024. O resultado foi impulsionado pelo aumento no número de pedidos, impactado principalmente pela demanda de datas como Black Friday e Natal.
Entretanto, no acumulado dos últimos doze meses, o setor industrial segue em queda, passando de 5% no início do ano, para apenas 1,4% no penúltimo mês de 2025. Os dados constam na pesquisa Indicadores Industriais (Index), divulgada nesta sexta-feira (16), pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Em novembro de 2025, as horas trabalhadas na produção cresceram 1,1% frente a outubro, refletindo, principalmente, a maior realização de horas extras. Já a utilização da capacidade instalada recuou 2,4 pontos percentuais, passando de 82% em outubro para 79,6% no período.
No mercado de trabalho, os indicadores apresentaram leve recuo de 0,3%, refletindo uma fase de ajustes no quadro de funcionários em empresas, especialmente do segmento de transformação. O levantamento aponta ainda que a massa salarial avançou 1,2% frente a outubro, influenciada pelo maior pagamento de horas extras e pelo pagamento da primeira parcela do 13º salário.
O economista da Fiemg responsável pela pesquisa, Arthur Oliveira, pontua que a demanda sazonal de fim de ano em decorrência de datas relevantes para o consumo elevaram o ritmo produtivo da indústria. Segundo ele, a partir de setembro as unidades já começam a se preparar para atender a um volume maior de pedidos, com destaque para a Black Friday, que hoje se estende por todo o mês de novembro, além do aumento típico das encomendas para as festas de fim de ano.
Contudo, ao analisar o acumulado dos últimos 12 meses, o economista ressalta que o setor passa por uma perda gradual de dinamismo ao longo do ano, que se intensificou a partir do segundo semestre. “Esse resultado reforça um cenário claro de desaceleração, muito em função do ambiente econômico. A economia está desacelerando, afetando principalmente o consumo das famílias, e consequentemente a indústria de transformação”, explica Oliveira.
Demanda externa impulsiona indústria extrativa e juros travam setores ligados à transformação
Apesar do cenário interno desafiador, a indústria extrativa, que abrange a produção de commodities como minério de ferro, ouro, carvão mineral, calcário, entre outros, apresenta desempenho superior ao da indústria de transformação. Oliveira explica que a diferença ocorre porque a extrativa é menos afetada pelas condições domésticas, já que responde mais diretamente à demanda externa e aos preços internacionais.
Na indústria de transformação, o economista destaca que o setor de automóveis performou de forma positiva ao longo do ano, em função de contextos específicos do mercado, como o retorno das exportações para Argentina. Já como destaque negativo, os minerais não metálicos e a construção civil tendem a sofrer de forma mais acentuada os impactos da desaceleração na economia.
O desempenho aquém do esperado na construção ocorre mesmo com medidas do governo para apoiar o setor, como a ampliação de programas, como Minha Casa, Minha Vida. “Isso ajudou, mas não foi suficiente. O segmento ainda sofre com os juros altos: com a taxa nesse patamar, o crédito fica muito caro, encarece o financiamento e esfria a demanda”, explica Oliveira.
Mesmo com esse cenário, a expectativa é que o setor encerre 2025 em crescimento, embora inferior ao observado em 2024. Já para 2026, a análise é mais cautelosa, especialmente com a persistência dos juros em patamares elevados.
“Os juros seguem altíssimos e ainda com efeito defasado, já que normalmente aparecem com mais força em um ou dois trimestres, e a economia brasileira é muito influenciada pela taxa de juros”, finaliza o economista.
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