FIDCs podem alcançar R$ 1 trilhão em 2026
O ano de 2026 deve marcar um momento inédito para o mercado brasileiro de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). Após encerrar 2025 com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 810 bilhões, o setor já projeta alcançar a marca de R$ 1 trilhão ainda nos primeiros meses do próximo ano, segundo especialistas.
O ritmo acelerado de crescimento é explicado por dois fatores centrais. O primeiro deles, de acordo com o sócio-gestor da Ouro Preto Investimentos, Leandro Turaça, é a demanda crescente das empresas por crédito fora do sistema bancário tradicional, em busca de soluções mais ágeis e menos burocráticas. “Isso cria um grande estoque de recebíveis elegíveis para securitização”, afirma.
Nesse contexto, os FIDCs vêm se consolidando como alternativa eficiente para empresas e investidores. Para o CEO da Audax Capital, Pedro Da Matta, esses fundos oferecem flexibilidade, governança e especialização técnica, atributos que têm ampliado sua atratividade. “Com a digitalização, uma análise de risco mais precisa, regulação mais madura e investidores cada vez mais confortáveis com crédito estruturado, o segmento segue em rota de expansão sustentável”, diz.
O segundo fator de crescimento, conforme Turaça, é o movimento de investidores institucionais e estrangeiros em busca de retornos reais mais elevados, em um ambiente de juros altos e menor atratividade da renda fixa tradicional.

Da Matta acrescenta que, com o crédito bancário mais caro e sujeito a ciclos políticos e monetários, o mercado passou a demandar instrumentos capazes de combinar eficiência, rapidez na execução e melhor precificação de risco. “É justamente o papel que os FIDCs cumprem: transformam recebíveis em capital, conectam investidores à economia real e oferecem soluções sob medida para capital de giro, expansão e reorganização financeira”, afirma.
Mercado de capitais poderá ultrapassar sistema bancário em 2034
A evolução das estruturas dos fundos também reforça a perspectiva positiva para 2026. Para Leandro Turaça, os FIDCs têm se tornado mais sofisticados, com gestores especializados e níveis mais elevados de transparência, fatores que ampliam a confiança dos investidores. “Esse movimento deve se intensificar ao longo do próximo ano”, avalia.
Pedro da Matta destaca que, para as empresas, os FIDCs representam acesso a capital estruturado com governança robusta, mecanismos de proteção e desenho customizado às necessidades do negócio. “Algo que o modelo bancário tradicional nem sempre consegue entregar”, diz.
Já para os investidores, os fundos oferecem retorno ajustado ao risco superior ao de muitos ativos tradicionais, com lastro em recebíveis reais e monitoramento contínuo. “Esse formato democratiza a ponte entre liquidez privada e produtividade econômica”, afirma.
Estudos recentes da Ouro Preto Investimentos, mostram que atualmente 76% do crédito nacional ainda circula dentro dos bancos, no entanto, há uma tendência de redução gradual dessa concentração.
O levantamento indica que o mercado de capitais poderá chegar a 37% de participação até 2029 e ultrapassar o sistema bancário em 2034, quando 51% do crédito deve estar fora dos bancos.
Segundo Leandro Turaça, da Ouro Preto Investimentos, o movimento não surge por acaso. Ele acompanha o aumento da demanda por alternativas de financiamento, pela busca de originação especializada e pela maior capacidade dos FIDCs de atender empresas de vários tamanhos e segmentos.
Queda dos juros pode reforçar papel estratégico dos FIDCs
A esperada queda dos juros em 2026 deve impactar o segmento de FIDCs de forma mais qualitativa do que negativa, segundo o CEO da Audax Capital. Na avaliação de Pedro Da Matta, os fundos deixam de ser apenas uma alternativa em momentos de restrição financeira e passam a ocupar um papel estratégico no financiamento das empresas. “Esse ambiente tende a fortalecer a relevância do segmento e consolidar quem sabe estruturar risco com rigor e inteligência”, afirma.
Na mesma linha, Leandro Turaça, da Ouro Preto Investimentos, destaca que, mesmo com o ajuste dos spreads em um cenário de juros mais baixos, o crédito estruturado segue competitivo ao oferecer retorno real superior às alternativas tradicionais.
Além disso, a queda do custo financeiro melhora a capacidade de pagamento das empresas, reduz a inadimplência e fortalece a qualidade das carteiras. “Esse conjunto de fatores favorece especialmente os FIDCs bem estruturados, com gestão ativa e governança sólida, reforçando o papel do segmento como peça central do financiamento da economia brasileira ao longo do ano que vem”, conclui.
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