Indústria registra queda no faturamento em janeiro e acende alerta para 2026
A indústria mineira teve queda de faturamento no início de 2026. Segundo levantamento da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), a receita da indústria geral no mês de janeiro, que engloba os segmentos extrativo e de transformação, recuou 11,7% na comparação com dezembro, interrompendo uma sequência positiva que vinha sendo registrada desde setembro de 2025. A retração na entrada de receitas foi reflexo direto da redução de pedidos em carteira nas empresas da indústria de transformação, tanto no mercado interno quanto no externo.
Apesar de um início de ano menos forte, o economista da Fiemg, Arthur Augusto Dias, afirma que isso não é um fator que tende a gerar uma sequência de quedas de faturamento no segmento. Todavia, 2026 pode ser desafiador para a indústria, com a pressão que a alta dos juros pode exercer sobre a produção e a comercialização dos produtos industriais.
“A queda observada em janeiro não necessariamente indica uma tendência contínua de baixa para a indústria ao longo de 2026. Mas o resultado recente acende um alerta, principalmente no contexto de um ambiente macroeconômico muito adverso, com juros em patamares historicamente elevados e uma economia em franca desaceleração. Esse cenário aponta para uma moderação do ritmo da atividade industrial no Estado – mais uma moderação do que uma queda persistente da indústria”, explica Dias.
Transformação sofre e sofrerá mais
A indústria de transformação, que converte matérias-primas em produtos acabados e com maior valor agregado, sofreu o maior impacto. Siderúrgicas, setor de peças e setor automobilístico ficaram mais expostos aos efeitos da desaceleração industrial que naturalmente ocorre nos meses de dezembro e janeiro.
“A indústria de transformação é um segmento mais sensível ao ciclo econômico e ao desempenho da economia, que está em franca desaceleração. Em janeiro, houve redução de pedidos em carteira, tanto no mercado interno quanto no externo, o que acabou impactando o faturamento e também as horas trabalhadas na produção. O faturamento teve uma queda de 14,1% na indústria de transformação e as horas trabalhadas na produção recuaram 2,5%. A tendência é que a queda no ritmo desse segmento permaneça ao longo deste ano”, comenta.
Menos horas, menos produção
As horas trabalhadas na produção industrial também diminuíram no mês, influenciadas pela concentração de férias coletivas e individuais e pela compensação de banco de horas. Apesar disso, a utilização da capacidade instalada avançou e alcançou 81,4%.
No mercado de trabalho, o emprego industrial apresentou leve crescimento. A massa salarial real e o rendimento médio real também registraram alta, movimento associado ao aumento do pessoal empregado e ao pagamento de férias.
Incertezas
Todos os setores produtivos de Minas Gerais, incluindo a indústria, estão observando atentamente o cenário e o desenrolar dos conflitos no Oriente Médio. O economista da Fiemg, Arthur Augusto Dias, afirma que as incertezas tendem a aumentar, afetando diretamente o nível do comércio internacional, com o petróleo – principal produto da região – como grande protagonista de uma possível pressão nos preços.
“Conflitos internacionais sempre aumentam o grau de incerteza na economia global e afetam o nível de comércio ultramarino. E, claro, também os preços das commodities. Neste caso específico, principalmente o valor do petróleo que vai sofrer alta. No caso da indústria mineira, os impactos dependem muito da intensidade desses conflitos e, principalmente, da duração. Se houver aumento da volatilidade nos mercados ou uma mudança relevante no comércio internacional, isso pode acabar influenciando o desempenho da indústria”, conclui o economista.
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