Lei da Reciprocidade: Fiemg alerta para impactos de eventual retaliação aos EUA

Entidade alerta que uma escalada de retaliações pode ampliar prejuízos à indústria, aos investimentos e aos empregos
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Lei da Reciprocidade: Fiemg alerta para impactos de eventual retaliação aos EUA
Foto: Reprodução Adobe Stock

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) demonstra preocupação com o novo acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica contra as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. A entidade destaca que o momento exige firmeza na defesa dos interesses do Brasil, mas também responsabilidade para evitar que a disputa comercial avance para uma escalada de retaliações.

Caso a situação se agrave, a federação acredita que haverá ainda mais prejuízos à indústria nacional, aos investimentos e aos empregos. A Fiemg lembra que a legislação já havia sido acionada em 2025. Naquele processo, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) analisou o caso e o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) reconheceu formalmente seu enquadramento na Lei da Reciprocidade

A entidade relata que, diante do avanço das tratativas bilaterais, o governo optou por priorizar as consultas diplomáticas antes de definir contramedidas. Dessa forma, nenhuma tarifa retaliatória, restrição comercial ou medida sobre propriedade intelectual chegou a ser efetivamente aplicada.

Sobre o novo acionamento da lei, a Fiemg pontua que a medida também não significa uma retaliação automática. Além disso, avalia que uma guerra comercial não interessa nem ao País nem aos Estados Unidos.

A prioridade, segundo a Fiemg, deve continuar sendo a construção de uma solução negociada, com firmeza, rapidez e capacidade técnica para ampliar as exceções às tarifas, reduzir barreiras e preservar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano.

A federação que representa o setor industrial em Minas ressalta que o Brasil possui instrumentos legítimos para defender seus interesses e deve utilizá-los de forma estratégica. No entanto, aconselha que qualquer eventual contramedida seja cuidadosamente calibrada.

Para a entidade, retaliar importações de insumos, máquinas, equipamentos e tecnologias utilizados pela própria indústria brasileira pode aumentar os custos de produção, reduzir a competitividade e fazer com que o País pague duas vezes pela mesma disputa.

Segundo a Fiemg, os impactos potenciais são expressivos. Um estudo realizado pela própria entidade no ano passado estimou que, em um cenário hipotético de sobretaxa recíproca de 50% sobre as importações dos EUA, a perda para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional poderia chegar a R$ 259 bilhões, o equivalente a 2,21%.

Esses efeitos não ficam restritos à balança comercial, segundo a entidade, mas atingem também fornecedores, trabalhadores, investimentos, produção e arrecadação. Para a Fiemg, a saída mais segura e eficaz passa pelo entendimento entre Brasil e Estados Unidos.

A federação reforça que é preciso defender os interesses nacionais com coerência e firmeza, buscando a reversão ou a redução das barreiras e preservando contratos, investimentos, produção e empregos.

Entenda o caso

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu, nessa quinta-feira (13), um processo para aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, em razão da tarifa de 25% imposta às exportações brasileiras por supostas práticas comerciais desleais.

Antes da eventual aplicação de medidas de reciprocidade, o governo federal busca realizar consultas diplomáticas com os EUA para solucionar o impasse. O Executivo brasileiro classificou a tarifa de 25% como injustificada e arbitrária.

(Com informações da Agência Estado)

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.

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