Economia

Mesmo sem reajuste oficial, gasolina sobe 7% em 10 dias em BH e região

Variação do preço da gasolina chega a quase 7% em um intervalo de dez dias; entenda o que está por trás do aumento
Mesmo sem reajuste oficial, gasolina sobe 7% em 10 dias em BH e região
Foto: Reuters / Adriano Machado

Em um intervalo de dez dias, os pesquisadores do site Mercado Mineiro detectaram elevação de 6,93% no preço médio da gasolina em Belo Horizonte e na Região Metropolitana de BH. A alta dos valores também foi encontrada nos valores do etanol e do diesel (veja abaixo).

Enquanto o estudo feito pela plataforma em 3 de março identificou a média de R$ 5,33 pelo litro da gasolina, novo levantamento, realizado na última sexta-feira (13), mostrou que o preço médio subiu para R$ 6,41 – uma alta de R$ 0,42. Na prática, o abastecimento total de um tanque de 50 litros passou de R$ 299,50 para R$ 320,50, um custo adicional de R$ 21 ao consumidor.

Além disso, os preços entre postos também apresentaram variações, com o mínimo da gasolina em R$ 5,89 e o máximo em R$ 6,99, diferença de 18,68% entre os estabelecimentos. A pesquisa foi realizada pelo site Mercado Mineiro, em parceria com o aplicativo comOferta, entre os dias 15 e 17 de março em 197 postos.

Altas também no etanol e no diesel

Os aumentos também foram observados em relação ao etanol. Conforme o Mercado Mineiro, em dez dias, o preço médio do combustível subiu de R$ 4,61 para R$ 4,82 (4,48% ou R$ 0,21 por litro). Já os valores entre os postos variaram entre R$ 4,29 e R$ 5,39, com diferença de 25%. Na atualidade, a relação entre etanol e gasolina está em 75%, acima do patamar de 70% considerado limite para viabilidade econômica, o que torna o composto orgânico menos competitivo.

No caso do diesel, o cenário na Grande BH já reflete a instabilidade nos preços do combustível em nível internacional. Dessa forma, o diesel S10 apresentou a maior variação no período. O preço médio passou de R$ 6,04 para R$ 6,71, alta de 11,09% ou R$ 0,67 por litro. Nos postos pesquisados, os valores oscilaram entre R$ 6,29 e R$ 7,19, diferença de 14,31%.

A subida é reflexo do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, tensão que provocou o salto no preço do barril de petróleo de US$ 70 para R$ 100. A instabilidade internacional chegou ao Brasil na última semana, e a Petrobras autorizou reajuste de R$ 0,38 no diesel para as distribuidoras.

Combustíveis têm subido sem reajuste da Petrobras

Já os preços da gasolina e do etanol não sofreram reajustes da Petrobras. Apesar disso, nos postos, os valores têm subido, o que tem causado desconfiança nos consumidores e nos órgãos de fiscalização. Administrador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu afirma que os aumentos observados nas bombas ocorreram antes mesmo do reajuste oficial do diesel e sem justificativa direta da Petrobras para gasolina e etanol.

“Essas altas vieram antes mesmo da Petrobras anunciar qualquer reajuste e continuam acontecendo. A estatal não anunciou aumento da gasolina nem do etanol, que nem é de sua alçada, mas o etanol acabou subindo na carona da gasolina. O único combustível que poderia ter sido reajustado era o diesel e isso só a partir de sábado, mas ele já vinha subindo antes, o que gera indignação”, observa o administrador.

Abreu explica que os postos informaram aumento no preço de compra junto às distribuidoras antes do reajuste oficial. “É interessante que alguns postos nos passaram os preços de compra, até falando que era um absurdo que estavam comprando mais caro antes da Petrobras anunciar. Por isso há essa necessidade de fiscalização diante das distribuidoras, porque realmente elas estão subindo”, completa.

Para Abreu, parte do movimento de alta pode estar associada à expectativa de reajustes. “De alguma forma, com algum motivo que ninguém sabe qual é, e que não é a Petrobras, é uma expectativa de aumento, e não um aumento real”, encerra.

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