Economia

Eleições são ponto de atenção para a bolsa de valores em 2026

Especialistas projetam um cenário de recuperação moderada no novo ano, que pode até representar uma reviravolta para investidores, a partir da possibilidade de corte na Selic
Eleições são ponto de atenção para a bolsa de valores em 2026
A projeção, no entanto, não é de um “boom” econômico, mas de uma reprecificação de ativos, avaliam economistas consultados pela reportagem | Foto: Marcello Casal Jr / Arquivo / Agência Brasil

As expectativas para o mercado de ações brasileiro em 2026 apontam para um cenário de recuperação moderada, fortemente condicionado ao ciclo de juros, ao cenário fiscal e às eleições, conforme análise de especialistas ouvidos pelo Diário do Comércio. Para eles, o próximo ano pode representar um ponto de virada para os investidores, já que o corte da taxa Selic pode destravar a bolsa, impulsionando o Ibovespa a patamares mais elevados. No entanto, alertam que é fundamental acompanhar de perto os rumos do processo eleitoral no País.

A projeção não é de um “boom” econômico, mas de uma reprecificação de ativos. Na avaliação dos especialistas, a bolsa brasileira está barata e, com a queda da Selic prevista para o próximo ano, o fluxo de recursos deve migrar gradualmente da renda fixa para a renda variável, ampliando o índice.

O head de renda variável da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno, avalia que o horizonte é favorável para o mercado acionário, com expectativas positivas, uma vez que o Ibovespa acumula ganhos superiores a 30% neste ano. “Temos a expectativa de iniciar o ciclo de corte de juros no primeiro trimestre, o que favorece significativamente o mercado acionário”, comenta.

Na avaliação do economista da Valor Investimentos, Ian Lopes, as projeções também indicam elevação do Ibovespa. Segundo ele, o desempenho recente corrigiu a defasagem registrada há dois anos, provocada pela inflação. “Um investidor que tivesse adquirido um título com rentabilidade IPCA+ teria obtido um retorno muito parecido com o da bolsa. Agora, esse gap de inflação foi corrigido, e devemos observar um rali acima da inflação”, afirma.

Outro ponto favorável, ressaltado por Moliterno, é a continuidade da queda dos juros nos Estados Unidos. “É uma questão de realocação de portfólios. O mercado emergente tende a atrair esse fluxo. Apesar da valorização recente, ainda existem ativos negociados abaixo da média histórica, com espaço para um upside interessante”, avalia.

Além da queda das taxas de juros externas e internas, o estrategista de ações da Nomos, Max Bohm, lembra que 2026 será um ano eleitoral. “Uma possível mudança no cenário político pode ter impactos positivos sobre a bolsa”, observa.

No relatório Onde Investir em 2026, da XP Investimentos, o estrategista-chefe da instituição, Fernando Ferreira, destaca que os investidores estarão atentos à trajetória fiscal que o Brasil deverá adotar a partir de 2027, após as eleições. “Se houver avanço nas reformas fiscais e sinalização de estabilização da relação dívida/PIB, os ativos de risco tendem a manter um bom desempenho”, afirma.

Já o estrategista-chefe da Monte Bravo, Alexandre Mathias, projeta que o Ibovespa encerre 2026 em 225 mil pontos, com potencial de superar 300 mil pontos em 2027. “Sem um ajuste fiscal consistente, o Brasil pode entrar em crise, com forte recessão em 2027, o que levaria a bolsa para a faixa dos 120 mil pontos”, prevê.

Setores

Em relação aos setores mais promissores, o economista da Valor Investimentos, Ian Lopes, explica que, em ciclos de corte de juros, empresas mais alavancadas tendem a apresentar melhor desempenho, uma vez que o custo da dívida diminui com a queda da Selic. “Nesses períodos, ações dos setores de varejo e tecnologia costumam performar melhor”, afirma.

No entanto, Lopes ressalta que a redução dos juros não impede um bom desempenho de setores mais tradicionais. “Já observamos, em outros ciclos, empresas consolidadas de setores como commodities, bancos, energia e saneamento apresentando resultados expressivos. São companhias com mercados maduros e forte desempenho operacional”, destaca.

Para o estrategista-chefe da Monte Bravo, Alexandre Mathias, os setores mais sensíveis aos juros domésticos devem ser os principais beneficiados no início de 2026. “Construtoras, varejo e locadoras apresentam forte potencial de valorização, assim como o conjunto das small caps”, avalia.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas