Economia

Gerdau vê avanço em medidas antidumping e aposta em produção própria

CEO afirma que mecanismos contra aço importado, especialmente da China, ganham força; empresa projeta redução das importações a partir de 2026
Gerdau vê avanço em medidas antidumping e aposta em produção própria
Mina da Gerdau em Miguel Burnier, distrito de Ouro Preto | Foto: Divulgação/ Gerdau

A Gerdau está otimista em relação ao avanço das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo federal contra a importação de aço, especialmente da China. A empresa também aposta na ampliação da produção própria como estratégia para reduzir custos e preservar margens no Brasil.

Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (24), o CEO da companhia, Gustavo Werneck, afirmou que a empresa está mais confiante quanto à efetividade dos mecanismos de defesa comercial, que, após investigações técnicas, apontaram prática de dumping em determinados produtos siderúrgicos.

“O nosso otimismo vem do amadurecimento dos mecanismos de defesa comercial, especialmente os antidumping. As análises mostram que, de fato, tem havido dumping por parte de produtores, especialmente os chineses”, disse.

Entre as medidas adotadas pelo governo estão a inclusão de novos códigos na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) na lista de produtos com tarifa de importação de 25% e a aplicação de tarifas antidumping sobre produtos como os aços planos.

Apesar de avanços recentes, Werneck afirma que o cenário segue desafiador. Em 2025, o Brasil registrou novo recorde de importação de aço, com aumento de 7,4% no volume em relação ao ano anterior. “A entrada de material importado a preços considerados desleais tem impactado a rentabilidade e a competitividade das operações da Gerdau no Brasil”, afirmou.

Werneck explicou que os processos de defesa comercial exigem investigação técnica detalhada antes da aplicação definitiva das sanções e que isso leva tempo. “Antes que esses mecanismos sejam aplicados, existe uma análise técnica e toda uma investigação para comprovar se houve dumping. Isso demora um tempo”, afirmou.

A expectativa é que a decisão provisória se torne definitiva entre junho e julho deste ano. “A partir de então, se aplicam os mecanismos de defesa previstos nesta análise e isso nos faz imaginar que, ao longo de 2026, possamos experimentar uma leve redução no volume de aço importado e, mais fortemente, a partir de 2027”, projetou.

Werneck ressaltou que a confiança da empresa está ancorada na condução técnica das investigações, alinhadas às regras da Organização Mundial do Comércio. “Uma coisa é a decisão política. Outra é a decisão técnica. Quando se apresenta dados e informações técnicas, essa defesa passa a ser incontestável, independentemente do lado político utilizado para tomar a decisão”, afirmou.

Expectativas para 2026

Para 2026, a Gerdau prevê crescimento moderado da demanda por aço no Brasil, ainda sob impacto da concorrência externa. Na América do Norte, Werneck explica que o cenário é mais estável e que o consumo na região permanece em patamares elevados, com carteira de pedidos acima da média histórica. “A perspectiva para a demanda de aço vinda de setores como energia solar, data centers e infraestrutura se mantém positiva”, afirmou.

Além das medidas comerciais, a Gerdau aposta na ampliação da produção própria para melhorar a eficiência operacional. Um dos destaques é a evolução da plataforma de mineração sustentável na Mina de Miguel Burnier, no distrito de Ouro Preto.

O projeto está prestes a entrar em operação e deverá contribuir para a redução de custos na unidade de Ouro Branco, onde a companhia mantém uma de suas principais plantas industriais.

A estratégia reforça o movimento de verticalização da produção, reduzindo dependência de insumos externos e protegendo margens em um ambiente de competição internacional acirrada.

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