Gestão fiscal é crítica na maior parte de MG

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Gestão fiscal é crítica na maior parte de MG
Crédito: Arquivo DC

Se no País uma em cada três cidades não possui arrecadação própria suficiente para bancar sua estrutura administrativa (prefeitura e Câmara de Vereadores), em Minas Gerais a situação é ainda pior.

Foi o que revelou o indicador de gestão fiscal dos municípios da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em Minas, 56,5% dos municípios estão em estado crítico quanto à gestão fiscal.

A informação é da analista de Estudos Econômicos da Firjan, Nayara Freire. Segundo ela, da mesma forma como na média nacional, a combinação da rigidez no orçamento com planejamento ineficiente é que tem levado a essa situação.

“Isso é preocupante e coloca grande parte dos municípios em estado de alerta. Além disso, indica para o governo federal a necessidade de os incluir nas reformas estruturais. Pois, embora exista o fator da má gestão, os efeitos são potencializados pelos problemas estruturais. Daí a necessidade de contemplar os municípios, por exemplo, nas reformas administrativa, previdenciária e tributária”, alertou.

Especificamente sobre Minas, o levantamento revelou que 271 cidades do Estado tiraram nota zero no indicador autonomia, revelando que, nestes locais, a receita da prefeitura foi menor que o custo da estrutura administrativa e as atividades locais não geram receitas suficientes para suprir os custos. “Se o município não gera recursos para isso, é dependente de transferências para bancar, inclusive, a máquina pública, o que é ainda mais preocupante”, alertou.

O segundo principal problema das cidades mineiras, de acordo com o IFGF, também é a alta rigidez do orçamento por conta dos gastos com pessoal. O indicador mostrou que 68 prefeituras de Minas estão fora da lei por comprometer em 2018 mais de 60% da Receita Corrente Líquida (RCL) com a folha de salário do funcionalismo público.

Com isso, a liquidez destes municípios também ficou prejudicada e o indicador apontou que 299 não planejaram o orçamento de forma eficiente no ano passado, ficando sem recursos em caixa para pagar as despesas postergadas para o atual exercício. “E, neste cenário, os investimentos também foram penalizados. O índice chegou a 59,3% das cidades com nível crítico, não ofertando as condições básicas para a população nem a infraestrutura necessária para atrair investimentos e aumentar as receitas”, explicou.

Extrema – Apesar dos índices desfavoráveis do Estado, o município de Extrema, no Sul de Minas, teve destaque positivo. Apareceu em primeiro lugar no ranking de Minas Gerais e oitavo no nacional. Os índices do município foram de 0,96 no IFGF, 1,0 em autonomia, 0,85 em gastos com pessoal, 1,0 em investimentos e 1,0 em liquidez.

De acordo com a secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão de Extrema, Priscila Sousa, não é de hoje que o município preza por uma gestão eficiente e busca melhorar o desempenho ano após ano. Segundo ela, a economia do município é pujante e baseia-se principalmente no setor industrial.

“Os esforços sempre ocorreram no sentido de manter a atração de investimentos e também a qualidade da gestão pública, com capacitação do pessoal e melhoria dos gastos do orçamento”, destacou.

Belo Horizonte, por sua vez, apareceu em 36º lugar no ranking estadual e 476º no nacional. A capital mineira obteve 0,73 no IFGF, 1,0 em autonomia, 1,0 em gastos com pessoal, 0,61 com liquidez, mas 0,31 com investimentos.

Neste caso, a analista de Estudos Econômicos da Firjan explicou que o baixo nível de investimento pesou no resultado final do município. “Belo Horizonte teve nota alta em autonomia, gestão de pessoal e bom planejamento, mas os investimentos chegaram a um nível crítico. Por isso a posição menos favorável”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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