Grande BH registra deflação de 0,17% em julho, puxada por alimentos e vestuário
Em julho de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou queda de 0,17% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), gerando deflação, algo que não acontecia desde outubro de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPCA na RMBH foi o quarto menor registrado entre as 16 regiões pesquisadas. Já a variação acumulada em 12 meses foi de 3,43%, abaixo da média nacional, de 4,44%. De janeiro a julho, o IPCA acumulado foi de 3,84%. na Grande Belo Horizonte
Impacto bom
Os grupos de alimentação e bebidas, com queda de 1,35% nos preços, e de vestuário, que teve a maior redução individual de preços, 1,61%, foram os dois elementos que mais contribuíram para o resultado negativo da inflação na RMBH. Educação também teve queda de preços, mas pequena, de apenas -0,03%.
O tomate (-37,80%) provocou o maior impacto individual negativo no índice em julho: -0,15 ponto percentual (p.p.). Ainda no grupo de alimentos e bebidas, podemos destacar as quedas da batata-inglesa (-29,28%), da cenoura (-19,02%), da banana-prata (-9,32%), da maçã (-6,66%), do ovo de galinha (-5,71%), do biscoito (-4,51%) e do café moído (-3,29%), com impactos respectivos de -0,13p.p., -0,03p.p., -0,03p.p., -0,02p.p., -0,02p.p., -0,03p.p. e -0,02p.p.

Do lado das altas, os destaques foram a manga (21,47%), o mamão (13,61%), o leite longa vida (3,19%) e a refeição (0,60%), com impactos de 0,02p.p., 0,02p.p., 0,03p.p. e 0,02p.p., respectivamente, no índice geral. Já em vestuário (-1,61%), o item roupas caiu 1,89% e impactou o índice em -0,06p.p.
“Uma das coisas que podem ter gerado essa queda de preços no grupo de alimentos e bebidas é o aumento da produção dos itens que compõem o grupo. A oferta pode ter aumentado e assim, ‘puxado’ os preços para baixo”, explica o chefe da Seção de Levantamento de Preços do IBGE, Venâncio Araújo.
Liquidações
Para o CEO da ISF Soluções Financeiras, Leonardo Baldez, dois fatores podem, na sua percepção, ter ajudado na queda inflacionária de julho: menor pressão nos alimentos e um mês de julho em que os estoques de vestuário mudam, por conta da chegada das estações mais quentes, primavera-verão. A redução inflacionária não foi algo estrutural, e sim pontual.
“Na alimentação, estamos vendo uma correção de preços depois de períodos de pressão importante, principalmente em produtos in natura. Já no vestuário existe um componente comercial bastante relevante. Julho é tradicionalmente um período de liquidações e renovação de estoques, com o varejo reduzindo preços para abrir espaço para novas coleções. Portanto, não se trata de uma queda generalizada e estrutural do custo de vida, mas de movimentos específicos que, naquele mês, tiveram força suficiente para levar o índice regional ao campo negativo”, comenta.
Altas
No lado oposto das quedas, seis grupos apresentaram variações para cima: transportes (0,53%), artigos de residência (0,52%), saúde e cuidados pessoais (0,30%), despesas pessoais (0,29%), comunicação (0,24%) e habitação (0,01%).
O maior impacto vindo do grupo de transportes veio da passagem aérea, que aumentou 13,60%, com impacto de 0,08p.p. Ainda no grupo, podemos destacar o aumento do conserto de automóvel (1,00%), com impacto de 0,02p.p. no índice. Por outro lado, o seguro voluntário de veículo caiu 5,48%, provocando um impacto de -0,03p.p. no índice geral.
Em saúde e cuidados pessoais (0,30%), o produto para a pele subiu 3,16% e impactou o índice em 0,02p.p. Já o item produtos farmacêuticos caiu 0,44% e impactou o índice em -0,02p.p.
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