Economia

Greve dos caminhoneiros: com alta no diesel, Sindtanque-MG convoca paralisação

Alta do diesel e custos operacionais motivam sindicatos a paralisar atividades sem prazo definido
Greve dos caminhoneiros: com alta no diesel, Sindtanque-MG convoca paralisação
Trânsito intenso para caminhões nas rodovias. | Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Com a alta recente nos preços do diesel, o Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustível e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG) convocou, nesta quarta-feira (18), uma paralisação nacional dos transportadores rodoviários de combustíveis e derivados de petróleo. A mobilização pode ter início a qualquer momento.

Em Minas Gerais, a entidade afirma que tem mobilizado tanto transportadores de carga perigosa quanto de carga seca, com orientação para que a categoria esteja preparada para interromper as atividades por tempo indeterminado, a depender da evolução do cenário.

A convocação publicada nas redes sociais da entidade diz: “A greve poderá ser deflagrada a qualquer momento, em todo o País, em protesto contra os aumentos abusivos nos preços dos combustíveis, principalmente do diesel e da gasolina, praticados desde o início do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã”.

O setor cita, também, o reajuste da Petrobras no preço do Diesel vendido às distribuidoras, além de reajustes nos preços dos insumos, como peças e pneus, e da mão de obra para manutenção dos caminhões.

“Está tudo muito caro, dificultando às empresas a continuidade de suas atividades. Para evitar o fechamento de transportadoras e, consequentemente, a demissão em massa de seus empregados, é preciso dar um basta nesta situação. Por isso, contamos com o apoio e participação de todos transportadores. Vamos mostrar nossa força mais uma vez”, comunica, ainda, a publicação.

Nesse cenário, o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) informou que, apesar de alguns carreteiros autonomos e associações estarem se mobilizando para greves, a entidade não vai aderir ao movimento.

“O sindicato soltou uma nota hoje: não somos, de forma alguma, apoiadores nem vamos apoiar qualquer movimento de greve. Eu acho que este é um momento de reflexão e de tentar encontrar uma solução igual para todo mundo. Está difícil. Há quem não consiga repassar os preços, porque não há alternativa, e a greve é motivada exatamente por essa restrição. A conta não pode ficar só com o transportador; isso vai ter que ser repassado para todos”, comenta.

Adesão da FNTC

A adesão ao movimento ganhou força após a Federação Nacional das Empresas de Transportes de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Biocombustíveis (FNTC) confirmar, nessa terça-feira (17), o apoio de entidades filiadas em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, além da região Centro-Oeste. Segundo o sindicato, milhares de transportadores, entre empresas e caminhoneiros autônomos, já sinalizaram participação.

O presidente da FNTC e do Sindtanque-MG, Irani Gomes, afirma que o movimento é motivado pela elevação dos custos operacionais, com destaque para o diesel.

“O setor está preparado para suspender suas atividades a qualquer momento, pois o cenário é absolutamente desfavorável aos transportadores, que não têm medido esforços para se manter de pé diante do alto custo dos insumos que incidem sobre o frete, como o diesel”, disse.

Ele acrescenta que o aumento das despesas com manutenção de veículos, pedágios e carga tributária pressiona ainda mais a atividade. “Portanto, suspender as atividades parece ser inevitável”, afirmou.

Alta pressiona todos os setores de transporte no Brasil

Diante da crise, em comunicado divulgado nas redes sociais, o ministro dos Transportes, Renan Filho, informou que adotará medidas adicionais para garantir o cumprimento da tabela do preço mínimo do frete para os caminhoneiros.

“Quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser efetivamente responsabilizado, como transportador, contratante, acionista ou controlador da empresa, com medidas que interromperão a irregularidade, desestimularão a reincidência e corrigirão distorções de mercado”, comunicou.

Na semana passada, o governo federal já havia anunciado a isenção dos tributos PIS/Cofins sobre o óleo diesel, além de subsídios aos produtores domésticos e do aumento da tributação sobre as exportações do combustível. No entanto, as medidas ainda não foram aprovadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e, por isso, ainda não chegam aos distribuidores e postos de combustíveis.

O especialista em combustíveis Vitor Sabag explica que o repasse dos descontos ainda precisa passar por um processo regulatório. “É preciso aguardar a regulamentação. Quando isso ocorrer, a expectativa é de uma redução em torno de 30 centavos por litro, mas o cenário é incerto. Não é possível afirmar que haverá queda, porque os aumentos têm sido frequentes”, observou.

Transporte de passageiros

Também impactada pela alta no combustível, a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais (Fetram) informou que o aumento já chega a 30% do valor habitual e que o cenário também tem pressionado as empresas de ônibus.

“O aumento de 30% nos custos habituais, somado à instabilidade internacional e ao risco real de desabastecimento, coloca as operadoras em uma situação insustentável. Sem medidas complementares urgentes, a prestação do serviço será gravemente prejudicada em todo o Estado”, disse o presidente da federação, Rubens Lessa Carvalho.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas