Economia

Grupo Sada projeta reciclar 50 mil veículos em 2026 com nova empresa em Igarapé

Maior recicladora de veículos do Brasil, a Igarapé Reciclagem, do Grupo Sada, projeta 50 mil unidades até 2026, alinhada ao Programa Mover
Grupo Sada projeta reciclar 50 mil veículos em 2026 com nova empresa em Igarapé
Igar | Foto: Divulgação Grupo Sada

A Igarapé Reciclagem (Igar), empresa do Grupo Sada, inaugurada nesta quarta-feira (25) em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), é considerada a maior recicladora de veículos integrada do Brasil. A empresa pretende reciclar 50 mil veículos já em 2026.

Com investimento de cerca de R$ 200 milhões, a nova unidade tem capacidade para processar 300 mil veículos por ano e atuará na descontaminação, desmonte e trituração.

O projeto, conforme explica a vice-presidente do Grupo Sada, Daniela Medioli, foi concebido para operar em sintonia com o Programa Mover (Mobilidade Verde) do governo federal, que estabelece incentivos à descarbonização e à reciclabilidade da frota brasileira.

Segundo ela, a Igar nasce “em grande escala” justamente para atender a uma política pública que coloca a economia circular como prioridade estratégica.

O diferencial da nova empresa do grupo está no modelo logístico. O Grupo Sada opera cerca de 3 mil equipamentos de transporte de veículos (cegonheiras) em rotas que cobrem o País de Norte a Sul.

Boa parte desses caminhões retorna vazia após a entrega de carros novos.

Diante disso, a proposta é simples e eficiente, conforme Daniela Medioli: “A cegonha sai carregada com veículos novos e retorna com veículos em fim de vida para reciclagem”, diz.

Esse modelo transforma a ociosidade logística em ativo ambiental e econômico, viabilizando a logística reversa em escala nacional.

Outro ponto apresentado como vantagem competitiva pela gestora é o fato de a empresa estar próxima ao maior polo de distribuição de veículos novos do Brasil, ligado à Stellantis, o que reforça sua posição estratégica dentro da cadeia automotiva.

Desafio: captação de veículos

Apesar da estrutura pronta, o maior gargalo apontado pela vice-presidente é a captação de veículos em fim de vida. Muitos permanecem por anos em pátios públicos e áreas urbanas, gerando passivo ambiental e ocupando espaço sem gerar valor. “Há entraves regulatórios, especialmente ligados aos Detrans estaduais, que ainda dificultam a destinação imediata desses veículos para reciclagem”, explica.

Outras fontes de captação são leilões, seguradoras, montadoras e frotas corporativas. Com a regulamentação plena do Programa Mover, cada veículo reciclado poderá, entre outros benefícios, gerar incentivo fiscal por meio da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para montadoras, fortalecendo a sustentabilidade financeira do modelo.

Daniela Medioli pontua ainda que um veículo é composto por 70% a 80% de material metálico, o que explica o protagonismo das siderúrgicas no processo. Mas a Igar projeta gerar cerca de sete subprodutos por veículo processado. Além dos metais, a empresa já está mapeando parceiros para o processamento de vidro, borracha, componentes de chumbo, lítio e plásticos. A proposta é garantir destinação ambientalmente correta para todos os materiais.

Parceria na reciclagem

A ArcelorMittal é a única empresa já com contrato firmado com a recicladora. Segundo o diretor de Compras de Metálicos e BioFlorestas da ArcelorMittal, Bernardo Rosenthal, é possível produzir o aço 100% com sucata. “O aço não perde as características, então, ele pode ir para a indústria automotiva, para a produção de autopeças, para a construção civil e para a linha branca”, comenta.

Hoje, cerca de 54% do aço produzido já utiliza sucata como parte da composição. A meta da ArcelorMittal é atingir a neutralidade de carbono até 2050. “A sucata é, sem dúvida, um dos principais pilares dessa estratégia. Quanto mais sucata eu uso, menor a emissão de CO₂, menor o consumo de matérias-primas, como minério e carvão, e menor o consumo de energia”, completa.

Ainda segundo Rosenthal, a ArcelorMittal consome cerca de 3 milhões de toneladas por ano, 250 mil por mês, e a Igar representa um reforço estratégico nessa captação, especialmente em Minas Gerais, já que a empresa possui planta em Sabará.

Conheça as etapas da reciclagem

  1. Retirada controlada dos airbags identificados nos veículos.
  2. Descontaminação: retirada da bateria e do gás do ar-condicionado. As rodas são separadas dos pneus, que são triturados na própria Igar.
  3. Drenagem dos fluidos: retirada da água do radiador, dos óleos de freio, de câmbio, do motor e do amortecedor, além do combustível.
  4. Retirada dos vidros: as janelas laterais são quebradas de forma controlada, e o para-brisa é retirado com cuidado. Todo o material cai em um poço localizado na parte inferior dos veículos e, em seguida, é coletado.
  5. Retirada do catalisador: todos os materiais resultantes da descontaminação são encaminhados para empresas especializadas ou associações de reciclagem para reaproveitamento.
  6. Triturador: após todas as etapas de descontaminação, os carros são triturados em um equipamento denominado Shredder, com capacidade de processamento de 100 a 120 toneladas de sucata por hora. O material é utilizado pela indústria siderúrgica na produção de aço, em substituição ao minério de ferro.
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