IBGE: Produção industrial de Minas Gerais cresce acima da média em 2023

O desempenho do setor produtivo do Estado avançou 3,4% no ano passado

8 de fevereiro de 2024 às 16h11
Atualizada em 11 de fevereiro de 2024 às 12h05

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Crédito: Ricardo Teles

Após cair 1,3% em 2022, a produção industrial de Minas Gerais cresceu 3,4% em 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A performance mineira foi superior à do País, que ficou estável no período (0,2%). O resultado ainda representou a segunda maior influência positiva sobre o indicador nacional, atrás apenas do Rio de Janeiro, com alta de 4,5%.

A indústria extrativa teve uma expansão produtiva de 7,6% e sustentou o crescimento do Estado. A analista de pesquisas por empresas do IBGE em Minas Gerais, Alessandra Coelho de Oliveira, destaca que o minério de ferro foi o produto que mais contribuiu para o avanço do segmento.

Na indústria de transformação mineira, o crescimento da produção foi de 1,8%. Neste caso, conforme a especialista, os principais influenciadores foram as atividades de metalurgia e a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, ainda que a fabricação de produtos de borracha e de material plástico tenha apresentado a maior variação anual (13,5%). 

Em contrapartida, a fabricação de produtos químicos retraiu 11,9% e não deixou a produção industrial do Estado crescer mais. O mesmo ocorreu com os produtos de minerais não metálicos, com baixa de 3,4%. As outras oito atividades analisadas pelo IBGE registraram expansão. 

Com relação às outras localidades pesquisadas, o Rio Grande do Norte teve o maior incremento produtivo, de 13,4%. No total, dez das 18 regiões avaliadas apresentaram alta na produção industrial. Já a retração mais significativa foi observada no Ceará, com queda de 4,9%.  

Fatores locais impulsionam indústria mineira 

Ao avaliar os números do ano passado, o economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Carlos Silva, reiterou que a produção da indústria mineira se sobressaiu frente à nacional, tanto no resultado geral quanto por segmentos. “Tudo que foi bem no Brasil também foi no Estado e tudo que foi mal no Brasil foi muito bem no Estado”, resumiu.

De acordo com o especialista, as atividades de petróleo e gás derrubaram o desempenho do País, enquanto o aumento da produção de minério de ferro estimulou a performance de Minas Gerais. Um dos motivos para tal crescimento, conforme ele, foi o menor volume de chuvas em dezembro – abaixo da média histórica – que puxou a indústria extrativa do Estado para cima no fim do ano. 

Quanto à indústria de transformação, o economista-chefe do BDMG destaca que o resultado mineiro foi melhor do que o do País em 10 dos 13 segmentos estudados pelo IBGE. Ele salienta que os segmentos mais associados a financiamentos performaram mal no Brasil porque o crédito estava caro, contudo, desempenharam bem em Minas Gerais em razão de fatores locais. 

“Desde o início da pandemia, temos observado um ganho de produtividade maior em Minas Gerais do que no Brasil, especialmente na indústria. Nós tivemos expansão de investimentos privados e vimos quantos aportes foram atraídos e anunciados no Estado. Consequentemente, tivemos um aumento da confiança do empresário local maior do que no País”, ponderou.

Expectativas positivas para 2024 

Para 2024, as projeções do especialista são de que a produção industrial mineira continue em uma crescente e, novamente, em ritmo superior à média nacional. Silva avalia que a descompressão das condições financeiras e a redução da taxa de juros deve impactar positivamente toda a indústria brasileira, mas os fatores locais, como os citados ganhos de produtividade, expansão da confiança empresarial e do investimento privado, devem sustentar um maior avanço estadual. 

E o otimismo não para por aí. O economista também espera uma reversão do quadro do segmento de bens duráveis, que não foi bem em 2023 por conta do alto custo de financiamento, com o cenário macroeconômico favorável e queda da Selic. Conforme ele, isso deve favorecer ainda mais a indústria de Minas Gerais, já que o peso dessas atividades é bastante relevante no Estado.

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