Intenção de consumo melhora em BH, mas endividamento ainda limita compras
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Belo Horizonte apresentou ligeira melhora em setembro, mas os consumidores continuam cautelosos diante das restrições no orçamento doméstico. O índice, calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência e Pesquisa da Fecomércio MG, avançou 0,4 ponto em relação a agosto, alcançando 86,4 pontos. Apesar da alta, o indicador permanece abaixo dos 100 pontos, limite que separa as zonas de insatisfação e satisfação.
Para a economista da Fecomércio-MG, Gabriela Martins, o resultado reflete um cenário de sinais distintos. Embora emprego e renda sustentem parte da confiança dos consumidores, o comprometimento financeiro das famílias limita a disposição para gastar. “É uma confiança que existe, porém, sob o controle do orçamento”, afirma.
A diferença entre a percepção sobre o consumo atual e as expectativas para os próximos meses ajuda a explicar esse comportamento. Entre os entrevistados, 54,2% afirmaram estar comprando menos do que há um ano, enquanto apenas 18,8% disseram consumir mais. O indicador de consumo atual recuou de 65,5 pontos em agosto para 64,6 pontos em setembro, ficando também abaixo dos 68,7 pontos registrados no mesmo mês de 2025.
Em contrapartida, o indicador de perspectiva de consumo alcançou 105,1 pontos, com alta de 1,7 ponto em relação a agosto. Entre os entrevistados, 38,5% esperam consumir mais nos próximos meses, enquanto 33,4% projetam reduzir os gastos e 27,7% pretendem manter o nível atual de consumo.
Segundo Gabriela Martins, a expectativa mais favorável está relacionada à sazonalidade do último trimestre do ano, marcado pela Black Friday, pelo Natal e pelo pagamento do 13º salário. “Quando o consumidor diz que vai gastar mais, ele não está necessariamente dizendo que ficou com maior renda ou mais rico. Ele está contando com uma renda extra e pontual que chega nessa época e com as promoções típicas do período”, explica.
A economista pondera que essa perspectiva não representa necessariamente uma recuperação estrutural do poder de compra. Parte dos recursos adicionais deve ser destinada à quitação de dívidas e à recomposição do orçamento, após meses de consumo mais contido. “É mais recomposição e concentração de compras do que realmente um saldo real de renda”, avalia.
Endividamento e juros limitam compras
A cautela é ainda mais evidente na compra de bens de maior valor, como eletrodomésticos, móveis e eletrônicos. Em setembro, 73,9% dos entrevistados consideraram o momento desfavorável para adquirir esses produtos, enquanto 25,7% avaliaram a situação como favorável. O indicador de condições para a compra de bens duráveis caiu de 54,4 para 51,9 pontos, o menor patamar entre os componentes destacados pela economista.
Um dos fatores que explicam a resistência dos consumidores é o custo do crédito. Com a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, os juros dos financiamentos encarecem as compras parceladas e ampliam o peso das prestações no orçamento. Além disso, 85,8% das famílias de Belo Horizonte estão endividadas, e o cartão de crédito aparece em 96,2% dos casos de endividamento. Em média, os compromissos financeiros consomem 35,2% da renda familiar.
“Com juros altos, orçamento comprometido e outras prioridades de fim de ano, o consumidor entende que adiar um bem mais caro é uma decisão mais prudente”, afirma Gabriela Martins. Segundo a economista, o 13º salário pode proporcionar algum alívio financeiro, mas não necessariamente será destinado a novas compras, já que parte dos recursos tende a ser utilizada para quitar dívidas.
Publicidade Legal
Impresso
Ver outras datasDigital
- BALANÇOS PATRIMONIAIS INDIVIDUAIS E CONSOLIDADOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2025 ATMO PARTICIPACOES S/A
- BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2025 E 31 DE DEZEMBRO DE 2024 LIGAS DE ALUMINIO SA LIASA
Ouça a rádio de Minas