Economia

Brasil encerra 2025 com o maior volume de importação de aço em 15 anos

Nível histórico da importação de aço, que totalizou 5,7 milhões de toneladas, já era previsto pelo Instituto Aço Brasil
Brasil encerra 2025 com o maior volume de importação de aço em 15 anos
Foto: Divulgação Aço Brasil

Em 2025, o Brasil registrou a importação de 5,7 milhões de toneladas de aço laminado, o que representa o maior volume em 15 anos – em 2010, chegou a 5,8 milhões de toneladas. Na comparação com 2024, o ingresso desses produtos cresceu 20,5%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Instituto Aço Brasil. Os resultados vão ao encontro das projeções que a entidade informou à imprensa em dezembro.

Ao somar laminados e semiacabados, o mercado brasileiro importou 6,4 milhões de toneladas de aço no ano passado. Nesse caso, o acréscimo anual foi de 7,4%.

China é líder nas vendas

Acusada pelo setor de práticas predatórias, a China liderou as vendas para o Brasil, com quatro milhões de toneladas de aço, ou 61,9%. As exportações do gigante asiático subiram 19,1% e a participação no total importado, cresceram 6,1 pontos percentuais (p.p.).

Outro país da Ásia que se destacou, ocupando a segunda posição do ranking de fornecedores, foi a Coreia do Sul, com o envio de 732,36 mil toneladas, ou 11,4%. Os embarques dos sul-coreanos aumentaram 237,3%, enquanto a participação avançou 7,8 p.p.

Em contrapartida, a quantidade de aço enviado pela Europa ao Brasil retraiu 59,8%, totalizando 525,8 mil toneladas, e a participação dos europeus caiu 13,8 p.p, para 8,2%.

Dentro do continente, a União Europeia vendeu 394,7 mil toneladas, ou 6,2%; outros países, 131 mil toneladas, ou 2%; a Rússia, 74,5 mil toneladas, ou 1,2%; e a Turquia, 53,6 mil toneladas, ou 0,8%. Os volumes recuaram 25,1%, 83,2%, 89,6% e 11,5%, respectivamente. Já as participações diminuíram 2,6 p,p, 11,1 p.p., 10,9 p.p. e 0,2 p.p.

Dados de dezembro

No recorte do mês de dezembro do ano passado, os resultados também foram negativos. O Brasil importou 383 mil toneladas de produtos de aço, volume 16,4% maior que o observado no mesmo período do ano imediatamente anterior. Excluindo semiacabados, somente de laminados foram 368 mil toneladas, alta de 24,7%.

Nesse comparativo, a China enviou 230 mil toneladas (60,1% do total importado) e a Coreia do Sul, 67 mil toneladas (17,5%). Os chineses aumentaram os embarques em 0,7%, mas perderam 9,3 p.p. de participação, enquanto os sul-coreanos expandiram as vendas em 521,6% e ganharam 17,5 p.p. de participação. Já a Europa exportou 36,4 mil toneladas (9,5%) e teve recuos tanto na quantidade, de 13,7%, quanto em participação, de 3,3 p.p.

Com desembarques históricos, País perdeu investimentos e empregos

Vale lembrar que, no fim de 2025, o Aço Brasil informou que, por reflexo das importações de aço, o setor siderúrgico cancelou R$ 2,5 bilhões em investimentos no Brasil. A entidade também disse que as siderúrgicas demitiram 5.100 colaboradores e paralisaram quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas (mini mills).

À época, o instituto ainda revelou números que demonstram o impacto da importação nos resultados financeiros das produtoras de aço. Em razão do avanço dos desembarques, o Ebitda de suas associadas caiu 51,7% no terceiro trimestre do ano passado em relação ao quarto trimestre de 2024 e a margem Ebitda recuou 7,7 p.p.

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